Não sei quantas almas tenho.Cada momento mudei.Continuamente me estranho.Nunca me vi nem acabei.De tanto ser, só tenho alma.Quem tem alma não tem calma.Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,Atento ao que sou e vejo,Torno-me eles e não eu.Cada meu sonho ou desejoÉ do que nasce e não meu.Sou minha própria paisagem;Assisto à minha passagem,Diverso, móbil e só,Não sei sentir-me onde estou.Por isso, alheio, vou lendoComo páginas, meu ser.O que segue não prevendo,O que passou a esquecer.Noto à margem do que liO que julguei que senti.Releio e digo : "Fui eu ?"Deus sabe, porque o escreveu (Fernando Pessoa)
Dizer que o poeta finge,seria dizer que ele faz ao leitor de enganado,não ele realmente sente , não se entende, como pode ser o ser encantador ao mesmo tempo encantado de si.
E isto talvez que surge em encontros atrevidos em momentos de descobertas,somos seres muitos; em um corpo apenas...
Somos desejos deveras perdidos prontos para serem encontrados em olhares e algumas antenas.
Sim percepção não tem muito que razoavel ser...Se o ser é de verdade uma fuga incessante da razão.
Falar descaradamente de si, parecer que mente , pois ninguem consciente se expoe tanto, é o necessario atuar.
Ah este palco imenso, com tantos parceiros de sonhos que andamos sonambulos em lugares que não esperamos acordar.
Vai... não tenho sono, mas vivo a sonhar...
Preciso que eu me acorde, que eu encontre o ritmo, que crie o espaço do encontro.
Será poesia, mentira, sonho ou verdade?
Ainda não sei, nada disto tenho certeza...
Certa apenas que sou, existo em mim e nos encontros que desejo viver...
O resto, o visivel aos olhos alheios, isto deixem para eles pensarem, no que virem
Quero encontrar , viver, sentir...
E depois se foi um fingidor que passou, não sei ao certo... mas nada é tão fake pra voce que sentiu e viveu o instante de perto...
A ilusão é sempre o olhar do espectador, o artista , este sabe o real que esta em tudo que faz...E sente...
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