quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

cuida de mim...

Ontem um amigo disse-me que tem medo de envelhecer sozinho, ou foi isto que entendi, depender de pessoas ou não ter que pudesse fazer-lhe cuidados, carinho, enfim o que todos de alguma maneira necessitamos...Em uma conversa sem compromisso quase sempre enveredamos pelas frases de consolo, apoio, enfim, para o rumo normal de nossas conversas, sem olharmos realmente o que significa envelhecer, e precisar de cuidados...
Acompanho desde uns tres anos minha avó, embora tenha sido muito ligada à outra, seu corpo fragil não lhe permitiu ir muito alem de onde meu pai se encontra hoje, e muito bem obrigada, ativo, dono de si e muito grata eu estou pelo apoio que tem me dado nesta minha fase.
Um pouco senti que necessitei de cuidados neste ultimo ano, sim o carinho de pessoas que me viram como sou, que se importaram com minhas pequenas angustias e dificuldades fizeram uma diferença tamanha para recuperar minha auto estima e confiança, um tanto arranhadas...
Mas não serei eu o tema desta conversa...
Acompanho outras velhinhas, lá da casa de repouso, converso com algumas, ja fui mais amiga de outras, vejo sempre seus olhares, e agradeço muito por seus abraços, me colocam no melhor lugar que pode haver no mundo o colo de uma avó... Pra mim o melhor lugar...
Mas elas adoeçem como a minha atualmente e deixam de ser ativas, e ficam confusas, seus osso doem, mal se cuidam basicamente e a seguir precisam deixar se cuidar.
Digo por acompanhar realtivamente próximo afinal são muitos poucos meses durante o ano que não vou uma vez ao menos para fazer algo de particular, mas de verdade, eu vou pra conversar com ela ; que entre uma ideia trouxa e outra apresenta momentos lúcidos, conta histórias de sua vida que a pressa de nosso encontros antigos não nospermitiu partilhar...
Espero que ela não saiba que fiz toda esta introdução para contar de uma velhinha linda que fui cuidar agora e como os seres são semelhantes em suas dores, em suas independencias e dependencias.
A Beinha é uma cachorrinha entre o pincher e o vira, marronzinho, muito da bonitinha, exagero, ela tem queixo prognato, não é bonita ,mas é simpatica docil e fragil...
Algumas cirurgias, não ve, não ouve, o que ja dificulta a existencia de qualquer um ter que conviver com isto depois de nunca ter sido ... Mas ela sente um faro que hoje percebi que a salva de algumas coisas e por isto, exatamente, como minha avó quando fica rebelde... Meu deus me deu um trabalhão.
Digo que fui escolhida pra fazer isto, não sou jeitos com cuidados físicos nem em hoemsn ou animais, minha cachorra reside na casa da minha mãe, já é deles alias, pq eu sou muito esquisita, contudo sou responsavel ao extremos com tratamentos médicos portanto, eu sou eficiente pra dar remédios a quem quer que seja...
Como é dificl convercer minha avó anão cuspir o seu medicmanto par a sua doença, um parkinson que está indo pra uma notavel falencia das funçoes de memoria...
Não digo que a veinha, a cachorra seja como minh avó ,mas como foi duro ter que pegar ela e forçar seu remedio goela abaixo, deu pena da fragil Beia ali no meu colo e depois enquanto as outras brigavam atras do portão e so aclamaram com minha conversa com elas, a pequena velhinha fugia de meu cheiro , mal se aproximou de mim seus pelos das costas subiram... ficar lá narinas abertas farejando minha proximidade fugindo quando me aproximei... Como doeu o coração, mas é para o bem dela e vou fazer com todo o cuidado que eu puder nos proximos dias, mas valeu pra pensar que não não é facil nunca e pensando na realidade atual, onde envelhecemos entre nosso loucuras e neurosoes, sim muitos de nó precisarão de cuidados. que Deus nos abençoe de ter a sorte das velhinhas que conheço ou melhor da Beinha e da minha avó!!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

De onde vem as estórias...

Ontem antes de dormir senti que um vento frio arrepiava por dentro, como pode, sendo que o calor saarico desta cidade quase mata, os homens assados...Senti meu interior gelar e a imagem fez presente em meu olhar.
Faz alguns dias que deixo de lado este deja vú, não estou interessada em estórias que não compreendo, que me perco ao contá-la e ainda nem sei se os lugares existem , parece coisa de "zombeteiro residente".
Pois bem, eu me disse que iria pro São Google e colocaria o nome que ficava perturbando meu ouvidos, se houvesse algo, ah eu pensaria no que fazer...
Sendo assim estou tendo que pensar...
Sabe aqueles lugares que ficam entre o mar e uma encosta ingreme, que são totalmente verdes e nos remetem até a Irlanda , Escócia, Inglaterra, assim que o nome Roslin apareceu em outras versões, inclusive, minha coluna gelou, abriu-se a imagem que estava em meu pensamento e pior a moça coberta por um xale que me arrepia ao sentir um vento forte e gelado vindo do mar...
Tenho um amigo que dirá de imagens de inconsciente, do coletivo, outros dirão obssessão, outros inspiração, outros e pode ser que eu me encaixe exatamente neste grupo...Alguma de minha viagens pelas imagens e vidas que eu não sei de quem são mas que me afetam tremendamente a vida. Ou traduzindo coisa de doido mesmo.
E falando em loucura, eu sempre me pergunto o quanto ela é limitante ou perniciosa, tenho uma relação antiga e muito feliz com o hospital psiquiatrico, anos como voluntária fazendo cestaria, ouvindo histórias de homens que ora me faziam sentir como filha e noutras, a espinha ficava gelada pelo olhar apaixonado que deitavam sobre minha discreta pessoa.
Fico pensando se conseguiria ser a pessoa que sou hoje se não tivesse ouvido as histórias de tantos , sentido seus abraços, ganhado seus presentes, os presenteado COM MINHA CONFIANÇA nas suas ações, no sentir seus momentos tristes ou felizes.
Hoje, embora ainda acompanhe alguns, e não concorde com a forma que as internações são processadas não me esquivo do prazer de ve-los, de abraçar os moradores, estes sem sombra de duvida ,meus amigos...Então aos sabados gasto um pouco de meu tempo, sendo sincera ,nem tão precioso e vou às 7:30 da manha orar por eles, e por mim pois o retorno é imediato, tão forte é a energia que ampara o local...
Não quero direcionar esta pequena fala de meu coração para minha orientação religiosa, quero dizer da energia que se expande quando podemos encontrar nas dificuldades de entendimento do homem  pelo homem a preciosodade da poesia, a graça da veia artisitica, do interpretar papeis de cada um, longe dos muros de lá que se torna muito grande quando visto dentro de algumas salas com poucos homens orando, cantando, e também por que são homens ,discutindo...
Belíssimo livro a Lua vem da Ásia, reconheci no homem tantos homens que já parei para ouvir suas histórias, que ja fiz papel de filha, que devo ter povoado suas noites como amante...
Como sempre começo falando de algo e termino em outro foco, penso que a vida não comece em algo e tenha que terminar em outra coisa, as ideias, sempre elas se encadeiam, vem de encontros inesperados criam sentidos para coisas que não percebemos, nos colocam contra nossas paredes, com nossos fuzis mirando nosso erros e defeitos, culpando nossa falsa modestia e o nosso confessor amoroso, nosso próprio eu, passa delicadamente para nos perdoar os deslizes as fraquesas, a falta de perceber os sonhos e os encontros e nossas fugas do que somos e percebemos nos que afinam os nosso instrumentos, nos deixam melhores, mas por que atritam nosso conforto, preferimos não encontrar, ou fugir , deixar pra lá...Sei lá...

Terminando...
Vou deixar a moça rondar minha vontade e muito breve nova estória virá...Afinal cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é e, a loucura de cada um é seu encontro com o eu pessoal, a porta aberta das prisões do cotidiano, onde somos todos iguais, ou não...Quem sabe?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

E saiu correndo...

E saiu correndo de encontro a um outro e se escondeu embaixo de um cobertor eu acho...Tinha uma camera novinha, daquelas bem modernas, filmando tudo e uma  mochilas  das mais modernas ou era um saquinho de lado, a mochila acho que era de outro...
Algumas coisas eu não esqueço...Um sorriso que encheu os olhos das mulheres e, pensamos quase que em unissono, que coisa, se tivesse mais 10 anos...
De algumas forma eu tinha minha viagem definida, tinha um projeto, estava voltando a um lugar que eu amava muito e com alguem junto que eu queria muito aproveitar a companhia.
Engraçado como a companhia se revelou uma roubada, ao contrario de mim naquele momento o tal gostava das  bem mais que 10 anos mais novas e de todas elas, rsrsrsrs...
Pois não é que que ele era pra lá de engraçado, como todos aos 17 anos sorrisos, e mais sorrisos, sempre disposto a perturbar, acordar e cantar alguma gracinha, 11 horas  de viagem e quase lá, cai em minha cabeça um ovni, enorme cheio de sementes e com um perfume daqueles.
Quem seria o dono desse troço?
Ah eram os cabelos ou ele, não sei bem, nunca tive certeza, o meu amigo veio de viagem que ja conhecia o lugar de muitas e muitas vezes disse que eles estavam fazendo uma parceria, não desacreditei ...
Ver o sol nascendo e o olhar novo pro lugar, quanta energia, e sorrisos e bom humor, eu adoro bom humor, me encantei como se encanta com um novo amigo, com uma pessoa que a gente sabe que vai entrar em nossa vida e por isso disse-me cuidado...
Subir os trocentos metros antes de todos, sorrindo e fazendo festas, provocando os mais velhinhos,rsrsrs segurando as mãos feminas como so fazem os que tem em casa algumas lições que hoje infelizmente andam esquecidas...Meu sobrinho nem imagina o que é este tipo de gentileza e so tem 2 anos a menos.
Outro dia revi estas fotos , imaginava que ele estivesse grande, mas qual estava pequeno ,mal dava pra ter certeza, incrivel como minha memoria e meu coração lembram mais, muito mais...
Se não é seu bom humor e seus contatos, olha ele fez contatos , é seu estar no mundo ser do mundo, fui percebendo isto em tantos encontro que tivemos nestes anos, em geral ouvindo suas estórias meio mal contadas, mesa de bar, meio pra lá e pra cá...
Então agora que voltei de uma boa noite, e quis dormir, não consegui, deu esta vontade de sentar e rever uma lembrança, deixá-la registrada , não com as sutilezas deste homem  que agora escreve muito bem e vive muito alem daquele cantinho das minas que eu ainda amo tanto, mas que voltei mais 3 vezes apenas...
Sem duvida esta foi a mais divertida para mim, vontando ao lado gentil do cavalheiro,rsrsrs so ele conseguiu cuidar direito de uma mocinha linda e desajuizada que me encarregou de cuidar dela mas sou uma "tia" muito permissiva e se não fosse o bom papo e bom senso do garoto no trato com alguns comerciantes do lugar, meu Deus, teriamos tido serios problemas...
Mas tinham os cabelos...
Conta a "lenda " que ele ficou mais um pouco, a liberdade o cheiro do novo, provar a vida aos bocados,não voltou conosco, ia ficar com os cabelos; dizem os moradores locais e repetiu-me o amigo que o conhecia, roubado, sim pessoas sensiveis e sinceras muitas vezes levam todos como se fossem a  si proprios, pois bem os cabelos não eram...
Dizem que foi roubado e ficou  sem camera ou dinheiro, como se arrumou pra voltar, ele proprio já me contou ,mas engraçado como não me marcou, como marcou sua presença...
A lembrança mais forte, lá na casa de pedra andando em todos os quartos, num frio danado, sem camisa... o olhar claro quase como o ceu daquele dia olhando longe e eu que tenho medo de alturas, mas adoro morros e montanhas sem chegar na beirada via de não tão longe tanta energia...
Nas quedas d'agua não era de ficar embaixo, era pra subir  abrir os braços e desafiar os avisos de todas as mulheres, coração na mão ele pulava muitas vezes e sorria e gritava...
Engraçado como nesta época do ano espero ve-lo, sempre e como parece que nosso encontros são bons ficamos por vezes encantados em rir e conversar, pobre de minhas histórias banais, ficam cinza frente a tantos detalhes coloridos de suas milhares de vidas...
Como é que ficou tão bem gravada esta lembrança??
Eu sinto que alguns encantos, sentimentos inexplicaveis, são eternos e se reavivam cada vez que nos aproximamos ou reaproximamos de um bem querer, seja ele secreto ou discreto,rsrs...
Mas é certo que na vida algumas pessoas deixam marcas nas outras exatamente por serem simples e especiais...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Que lindo olhar, que gente linda de se ver!

http://www.uniaodocbrasil.com/

É muito bonito assistir o Jornal Nacional levando a gente em nossas casas até algum lugar do Brasil onde nós não chegariamos...
Embora seja um dos pilares do perturbador "milagre economico", um velho programa que se chamava Amaral Neto levava os brasileiros de suas tvs rescém coloridas para um Brasil que poucos conheciam, nos anos 80/90 um certo Goulart de Andrade enveredou pela mesma senda...
Hoje a Globo, Record e os documentários de tvs internacionais de tempos em tempos fazem o nosso "safari fotográfico". com direito a peculiaridades animais nadando e algumas imagens do povo ribierinho, ou perdido nos rincões.
Pois bem, eu conheço uma velha estória/h familiar, meu avo "seu Eduardo" espirita, estudioso e segundo contam de corpo fechado, ia e vinha lá do sertão de tempos em tempos, fazer um novo filho ver os outros e voltar... Claro que dona Germana nunca gostou disto, mas boa mãe e com apoio dos bons pais e da terrinha da família sobreviveu ao seu marido, que ja devia saber nunca seria de todo seu. Muito joven, ainda criança acompanhou dizem o Rondon( lenda ou não, já não está entre nós quem me contou esta) mas encantou-se com o lugar e junto aos irmãos Villas Boas foi levando seu instrumento para demarcar aquelas terras... Segredo muito escondido deste avô que nunca aparecia nos aniversários e que segundo ourtos parentes contam tinha famílas entre indios e caboclos...
Entre meus seis e vinte anos nunca o vi, de sua volta já doente e recebido como um marido muito querido por minha avó tenho nossas conversas sobre os povos de lá do norte...Comida, religião, as cores, eu sou curiosa ,mas a idade não permitiu levar muitas conversas, faculdade vida pessoal, infelizmente quando somos mais jovens esquecemos nosso velhos...
Quando eu era bem pequena tinha meu avô mais  proximo e suas coleções de Cruzeiros, Manchetes e Seleções... o mundo vinha até meus olhos pelas revistas dele, ele tinha uma paciencia e mostrava Brasilia, e os indios nus do Nasser, com os mesmos olhos divertidos de motorista de taxi, que conversa com todos e fala bem de tudo...
Era ele que contava dos indios, onde meu outro avo estava, lembro viva na memória um índio botocudo, olhando pra cima com a  flexa e sua boca os discos paralelos...
Ah nestas revistas e programas mostrando o Brasil grande se via as pessoas do nordeste, a seca os retirantes, os cangaceiros, os candangos, revistas velhas se somavam às novas e minha visão de história e deste país se deve ao meu avô, como quase todas as descobertas de vida e pequenas alegrias infantis...
Ah tá que coisa mais sem foco... Mas sentimento nem sempre é direto, é coisa que envolve que encanta que prende e arrebata...
Deus do ceu quanto sentimento junto ao acabar de ver, os textos, as imagens todas as histórias, a vida em cada instante de nosso Brasil, o esforço do homem, se reconhecendo homem e a alegria dos artifices deste trabalho em descobrir o novo onde as vistas ja foram em cenas contadas, mas sentir, vivenciar é uma força que so sabe , eu acredito quem se irmana, que absorve o lugar...
Arte, encanto, enfim tentei dizer isto faz pouco, mas o telefone só tocou...
Virou esta estorinha...
Acho que o encanto é tão forte que surgirão outras...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Amigos que se vão...

Algumas pessoas se vão antes de dizermos o quanto nos são importantes, especiais, o quanto as admiramos...
Não digo de nossos familiares, tenho certeza que entre momentos de felicidade e outros nem sempre felizes nosso parceiros de famíla sabem e entendem os motivos de nossas diferenças, dificuldades e fica tudo muito bem certificado nos compromissos de amor que criam as famílias...
Com o passar dos anos tive que frequentar despedidas que foram alem do tio velhinho, adoentado ou o avô sofrido pela doença seria...
Tive que dar adeus, ao menos de um convivio feliz a pessoas que são presentes em tantas lembranças que custo crer que estejam longe de mim...
Não é uma estória triste...É uma pausa para pensar em outro tipo de amor...
Tem um tempo já, em cerca de um ano depedi-me de dois grandes homens, grandes amigos, muito paternais e de um humor fino que faz saudade pensar em seus sorrisos de canto de boca quando eu contava alguma tropeçada, e olha eu sempre tive joelhos tortos,e dedos podres, imagina se eles não riam muito de mim...
Um deles chegou com o fim da adolescencia, no bar, na piscina, no bar, na piscina, na cozinha do bar... em outro bar... na vida corrida nos encontros de amigos nos jogos de futebol, nas coisas alegres e sua mão um dia me levou  de volta pra vida que eu deixava perdida por estar tão triste a ponto de não me reconhecer, neste dia senti a força desta amizade tão alcoolica... Não não era alcoolica era de irmão protetor de tantas amigas, como eu, era de um homem  que vivia a fazer amigos e criar relaçoes fortes, sinceras, seus erros, eram seus, mas nosso deslizes eram cuidados  e se podiam ser evitados, lá estava ele...Foram anos de conversas sobre como eramos, como entediamos a amizade de como as vezes não nos entendiam ,mas nós os entediamos e nos entediamos....
Poucos souberam realmente da profundidade de nosso sentimento mutuo e platonico, e por tanto amor não explicado nos caminhos ceticos, depois de tantos anos hoje o tenho quando ele pode se achegar como um bom conselheiro, e de quantas a minha percepção do que ele diria me salvou, em geral caio muito pouco quando o percebo por perto...
Sou grata pela saudade que posso sentir, o coração sempre que pode leva ao infinito uma prece e sem perceber me pego sorrindo grande ao lembrar de seu sorriso, meio de lado...
Um cantor... O melhor Léo e Bia depois do Montenegro foi o outro e seu sorriso enorme largo sempre entre o sarcasmos e a ironia, cuidava quando eu deixava para que a vida fosse alegre e eu não me perdesse tanto de minhas direções, quase um irmão mais velho, quase tio pela maçonaria, quase pai de todos os malucos que ele tinha por perto...
A lembrança do Natal não é mais a mesma, mas a certeza que ele superou suas expectativas que sua luta por saúde mudou algo entre as pessoas de seu circulo, fortalecem a lembrança deste lutador, que acompanhei de perto as dores e percebia sempre um sorriso agradecido pelo carinho...
Meu Deus quem recebia o carinho era eu, nunca reclamações nunca broncas, sabia de tudo e ainda sim era leve, esteve presente em tantos corações quantos podiam estar juntos agora, aglutinava, como o outro, tornava esta cidade melhor, as pessoas melhores...
Te senti no domingo, enquanto aquele moço tocava lá no salaõzinho...
Quem ler isto dira ta loca.
Não estou certa de que sinto presenças irmãs, é minha crença , era de ambos...
Pois domingo lá estava eu olhando pra alem do lugar e o sorriso apareceu nos meus lábios, grande, quase gargalhado e levantei meus óculos, com meu dedo indicador, então era voce agradecendo o sentimento que segundos antes me deu a vontade de fazer-te uma prece...
Assim é...
Para alguns será saudade apenas, para mim será um caminho para comemorar a oportunidade rara e luxuosa de ter podido merecer as amizades do Tião e Valerio...
Estejam em paz, trabalhando a vida deste lado...
Que eu de meu lado, outros amigos também certamente estaremos sempre a ter boas e felizes lembranças das vossas presenças do lado de cá.
Amém!!!!
Assim digo por que vi um amigo triste por uma perda destas inesperadas, e sua frase doída comoveu-me a dizer-lhe o que há em um pedaço de quase todos os textos do Richard Bach...
Algo mais ou menos assim...
" Para os amigos sempre haverá o encontro dos que se amam por que o amor não necessita de tempo e espaço para ser, ele é..."
E, pensando no Exupery...
Sempre haverá a estrela e a lembrança de seu olhar, de seus cabelos e uma duvida de se ele encontrou a sua flor...
Assim é quando somos capazes de ir alem de nossos pequenos projetos e abraçamos algo maior que nós, a  amizade verdadeira que fica em cada laço de amor...

Sempre para lembrar de voces, lá no Casablanca...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Vidas XXXI, XXXII, XXXIII, XXXIV, XXXV

XXXI.Um nascimento, a dor de um adeus...

Junto da esposa de Patrício ela ficou no seu quarto e pediu que esta aprontasse o necessário para que se fizesse um parto,tendo tudo sido preparado pediu que a levassem até a sua casa, nas cercanias do próprio palácio mas onde ninguém se preocuparia em estar.Todos estavam muito felizes e ocupados com os preparativos ,para sequer abandonarem seus postos de serviço sem os haver terminado.

As dores eram terríveis e já começava os trabalhos de seu corpo para o nascimento da criança,ao seu pedido nda foi pronunciado entre ela e amulher apenas oravam e pediam que a criança fosse saudável,isto seria garantia de sua vida.

E pedindo auxilio aos céus não pode sequer girtar as dores que sufocavam seu corpo todo, eram como se aquele cavalo novamente pisoteasse todo seu corpo, mas finalmente ouviu o choro de sua criança, um filho, forte e saudável. Agradeceu junto daquela mulher e pediu que pudesse ter uns minutos apenas com o seu filho, mas que deste momento em diante o que nasceu naquela casa seria para o casal o filho de sua parenta, ela era uma jovem que fora violentada por algum animal da guarda do palácio e nunca mais teve qualquer contato com o malfeitor.

Então por piedade eles aceitaram manter a criança com eles, pois sempre se necessita de uma mão nas lides quando se é um servo. Sem filhos eles poderiam criar este com certo conforto e teriam em sua velhice o apóio de uma família. A infeliz morrera e este era seu desejo, que eles criassem a criança como filho. Não se recusa um pedido assim no leito de morte e por este motivo, os cuidados da criança não puderam participar efetivamente dos serviços do palácio naquele dia.

Dito isto, ela pediu que a mulher saísse, e chorou, muito como nunca, era um fruto de um amor conquistado pelo respeito e companheirismo que estava agora sendo abandonado por ela, para que pudesse ter ao menos oportunidade de aprender o que isto significava. Estas pessoas o amariam e o tornaria o homem em moral um dia sonhado por seu pai e em caridade esperado por ela.

Adeus meu querido filho, tenho mais alguns minutos, pois disse à sua nova mãe que eu partiria tão logo pudesse por me em pe e agora já sinto retornar a força as minhas pernas. Fica com as benções minha com sua nova família e se puder, um dia ore por esta mulher que muito amou a você e seu pai.






XXXII.Na cabana da floresta...

Escolhendo entre as roupas de sua criada as mais simples, para que se passasse por uma serva a caminho dos arredores da cidade, ela partiu deixando para trás seus sonhos,sua vida,mas sentiu-se acompanhada por aqueles que tanto amara na vida,nas borboletas encontradas aos pares pelo caminho,ela foi encontrando uma certa calma de espírito para o que teria que fazer; a partir deste momento ,não haveria volta assim como bem sabia ,também não haveria perdão.Morreria como uma herege,mas teria ao menos o direito de escolher de que forma iria ser.

Novamente naquele tão amado lugar, repleto de lembranças felizes da presença de pessoas tão amadas.

As flores rasteiras tomavam agora conta do local mas não poderia ficar mais tempo fora correndo o risco de ser vista.Ao entrar algo pesou sobre seu espírito,talvez o medo do momento derradeiro,ou a culpa de não conseguir ser forte o suficiente para fazer a sua defesa ,para defender o seu amor e sua família,dúvidas que teria mas não por tanto tempo assim ela pensou.

As ervas já estavam separadas, seriam as mesmas que usara de forma tão irresponsável meses atrás. Agora sua morte repararia também este erro. Estava sofrendo em vista de coisas que não pode suportar, mas logo seu esposo não teria mais de quem se envergonhar e toda desonra cairia sobre uma jovem tola que se deixou levar por bruxarias e encantamentos. Ele teria o apoio de seus pares para consolá-lo e muitas jovens para novamente darem filhos a ele e continuarem a linhagem dos governantes daquela cidade.

Olhou ao redor o fogo precisava ser feito, a noite estava chegando e não mais esconderia as chamas e a fumaça naquele lugar, era preciso se apressar. Ela fez as orações pedindo perdão aos amados amigos, à sua avó enfim à todos que a amaram e protegeram e que certamente sofreriam com sua fraqueza caso estivessem ali.Oravam e nada mais podiam fazer...
A bebida ficou pronta ,sabia o que sentiria,seria uma tontura e logo estaria dormindo, alguma dor viria a seguir,um ligeiro tremor mas neste momento já nada mais poderia ser feito o veneno faria efeito irreversível e ela como tantos outros que deram cabo de sua vida desta maneira, estaria a mercê de suas próprias misérias,as quais a condenariam o absolveriam se houvesse um juízo em outra vida.Mas já não consegui mais manter-se em pé,uma dor incrível tomou seu corpo ,não pode respirar e finalmente desmaiou.
Antonio, adentrou àquela cabana, acompanhado dos guardas, que de longe observaram uma mulher encaminhar-se para o casebre, foram avisá-lo, pois suspeitaram de algo,mas ele não queria acreditar que ela fora tão louca,tão má,pondo fim a sua vida e também a de seu filho.

A forma como morrera não permitiu que se fizesse qualquer preparação do corpo e para evitar novos usos para tão desprezível lugar ele ordenou que tudo se consumisse em chamas.
As chamas tomaram o lugar, ele sozinho vendo tudo que amara sendo destruído novamente, quase enlouqueceu,por sorte era observado de perto por alguns servos,assim quando tentou ele próprio se atirar no fogo foi resgatado pelos criados antes de se ferir de forma irreversível.Mas o seu coração viva uma dor que jamais cicatrizaria.

Ao ser informado do acontecido Ângelo teve que disfarçar a sua prorpia felicidade ,nem seus sonho puderam criar um final tão apoteoticoa a esta obra .Estaria definitivamente vingado, aquele que se usurpou de sua prometida fora destruido em todos os seus sonhos de amor.
Agora faltava o golpe final






XXXIII.Seguiu-se a comemoração...

Agora no palácio do Doge onde fora convocada sua presença Antonio era dor e desolação, mas estava pronto a ouvir palavras de amizade por parte do Seu governante.

Não foi assim.

Antonio, meu caro, alegro-me que o salvaram a tempo para que eu possa afinal proferir minha sentença a você, estamos acusando o senhor de bruxaria, de fazer atos indecentes, com uma pessoa considerada paria em nossa sociedade e, ainda por não cuidares dela e deixa-la livre longe de seus olhos, pois fora o senhor designado nosso representante junto à ré.

Por tamanha desatenção aos nossos interesses o futuro governante fruto de nossos esforços pereceu ainda no ventre desta desprezível mãe, foram vocês considerados cada um a sua maneira culpados, para nos não importa mais os seus serviços e só não o condenamos aos tribunais da Inquisição por que pareceria cruel, com um nosso aparentado.

Portanto sua nova sentença será permanecer em seu palácio até o final de seus dias acompanhado das cortesãs que eu enviarei diariamente até que novamente faça um novo herdeiro para nós. Qualquer desobediência será tomada por ato de traição e devera ser chicoteado em praça publica assim com qualquer um de nossos servos alias é isto que es a partir de agora todas as suas posses serão entregues a minha guarda para que não a dilapides e possa ser a herança de nosso futuro governante.Nada deves dizer apenas vá.

Mas para sua consciência ser ao menos poupada de fantasmas informo a você que as coisas aconteceram exatamente como sua esposa deve ter contado, se é que a ouviu, em sua orgulhosa arrogância moral, não toquei em nenhum fio de seu cabelo, tentei é claro pois sou homem e tenho desejos considerados vis para a maioria de vocês e os satisfaço quando e com quem quero,mas com ela, jamais o faria,meu plano era maior e a desconfiança sua a respeito de seu amor por ti apenas fez minha vingança se fazer mais e mais saborosa,agora eu não tenho mais Amália e você não terá mais nada de seu enquanto viver,estamos acertados.

Antonio desmaiou e foi ordenado que o levassem para o palácio e que lá o mantivessem sob forte guarda.







XXXIV.No quarto...

Por dias esteve entre a vida e a morte, enquanto estivera febril assistira cenas estranhas,vira um encontro de dona Catharina com a neta.

Ambas pareceram a ele muito diáfanas, mas dona Catharina agora tinha a mesma luminosidade daqueles que as vezes apareciam em seus sonhos,aclamando de seus pesadelos,Ania estava cansada não falava e tinha sinais claros de que estava muito doente.

Ouviu parte da conversa onde a avó explicara a neta que não poderiam estar juntas no momento, mas ela seria cuidada por amorosos médicos, diferentes dos que conhecera e certamente, em breve, caso tivesse coragem de enfrentar seus erros a ela seria permitido partilhar da casa de sua família.Isto se dava pelas orações que foram feitas a seu favor pelos servos de seu marido e sua esposa em agradecimento por have-los permitido criarem um filho,que chegou a suas mãos em segredo mas só faria se suas vidas uma bênção de família.

Oh meu Deus pensou, seria um sonho assim tão real,e se fosse,poderia Ania ter entregue seu filhos para os servos cuidarem,talvez ela não estivesse louca e antevisse o que seria feito de seu filho caso fosse criado pelo senhor de Angelo.

Ajoelhado em seu oratório apenas agradeceu o sonho abençoado, e pode perceber então uma carta sob o seu genuflexório, com o coração aos saltou abriu e pode ver que o sonho fora muito mais e que finalmente o libertara de toda a dor.

Nesta carta Ania lhe falava sobre o medo que tinha de seu filho crescer junto de alguém tão sádico e vingativo como o governante da cidade e de tudo que a levou às medidas tão extremadas que veio a tomar.

Ela o perdoara de todo o coração e jurar-lhe amor eterno caso isto realmente fosse possível, viverem eternamente.

E seu ultimo pedido fora bastante forte.
Que ele fosse embora daquela cidade, que deixasse tudo dinheiro, direitos, enfim aquilo que o fizera tão apegado às regras sociais e recomeçasse, até como servo, que fosse a algum reino longe dali.

Ele então se decidiu...

Caminhou feito louco e gritando deixou-se cair no mar antes dissera aos guardas que tomara o mesmo veneno que a esposa e que jamais suportaria viver se não fosse com ela.

 


XXXV.Dentro do navio...

Nadara como louco para alcançar um dos barcos que sabia deixara o porto há algum tempo, sem ventos, de fato a embarcação não estava longe, neste tempo soube o que faria ao ser reconhecido.

Ao ser resgatado agiu como um débil, um tolo ajoelhou-se diante de um de seus antigos empregados agora, do doge e, beijando os seus pés gritou, nada tenho, mas amo o mar e morrer nele é o que desejo,Seja o senhor generoso comigo e cuidarei de suas investidas em cada porto em que estiveres.

Estava certo, desta maneira convenceu seu antigo empregado, companheiro de muitas batalhas a dar-lhe o abrigo e muito em breve ele próprio desembarcava em um lugar longínquo no oriente.

Seria então como Ania pedira; a sua nova vida...






Vidas XXVI, XXVII, XXVIII, XXIX, XXX

XXVI.No Palácio...
As ordens, sempre elas, eram que primeiro se reportasse ao Doge tão logo chegasse ao porto, os servos que vieram encontrá-lo, também o preveniram que na sua ausência a senhora Ania fora proibida de sair de casa, em razão de seu estado, desta maneira não fora ao porto para recebê-lo.
Algo estava estranho, sempre aquela sensação de apreensão em seu peito, mas o que fazer, era obrigatório seguir as regras, e de fato havia muito a reportar.
A viagem fora muito proveitosa, fizera acordos que seriam capazes de fornecer à cidade e a eles muitos lucros, acordos de honra e em ajuda oficial, com armas e homens, em troca de bens comerciais extremamente valiosos.

Que estes animais quisessem se matar agora pouco importava, apenas que no extremo oriente, agora não só os Reinos da Lusitânia teriam portos de comercio, mas eles de Genova também os teriam e isto a inimiga Florença nem sonhou em conquistar.

Com tantas boas noticias a serem reportadas não saberia dizer, porque ao adentrar no salão do palácio, tremeu e ao mesmo tempo temeu por sua sorte.

Logo saberia...

Estava esperando sua volta, meu parente, feliz pelas noticias que os antecederam, mas apreensivo por aquilo que preciso,embora não o deseje, informa-lo.

Dito isto de forma tão suave, diferente das ordens costumeiras pareceu a Antonio que existia uma parcela de ironia e sadismo nas palavras.

Ele bem conhecia o Senhor de Ângelo há muito tempo sabia de suas atitudes bastante humilhantes para com seus subordinados, neste momento a forma com que lhe falara deixava entrever que algo muito grave seguiria a partir daí.

Alegramo-mos que tenha vindo antes aqui, para informá-lo sobre algo que deva ter bastante cuidado ao se encontrar com sua esposa, estamos observando suas atividades nos últimos tempos e acreditamos que ela tem novamente exercido seus atributos em bruxarias.

Excedeu-se por demais vindo nos afrontar quando desfizemos aquele lugar desprezível, onde guardava seus venenos e fazia suas poções.
Alem de que, estava proibida por ti de ir a tal lugar, ao que não obedeceu a suas ordens.

Os olhos dele brilharam ao dizer: Meu amigo, eu temo por sua vida estando junto de uma pessoa tão desequilibrada ao ponto de vir implorar-me o direito de fazer tais mágicas e é claro sem medir esforços para me convencer.

Suas atitudes foram as de uma cortesã, alias temo que ela seja mesmo como uma delas, pois dançar e pintar-se para seduzir, só podem ser atitudes de uma herege.
Seus servos nos reportaram de tudo em sua ausência e agora nós fazemos a nossa obrigação familiar em informar-lhe antes que ela venha enganá-lo com mentiras deslavadas.

Os nossos pares estiveram aqui no dia em que ela esteve e a viram invadir meu escritório, sem nenhum acompanhante e ficar cerca de algumas horas comigo, meu amigo, certamente sabes que nenhuma mulher de respeito faria tal coisa.

Eu tive por ti o maior apreço, mas é difícil deixar de dar atenção aos atributos de uma mulher tão liberada, afinal estávamos desejosos em ver a ela nos seduzindo.
Ao dizer isto seu olhos brilhavam e sua fala ia se tornando maldosamente sedutora, de Ângelo fora um excelente orador em toda sua vida e convencer um homem simples, mas extremamente rígido moralmente como Antonio era na verdade só mais um brinquedo muito divertido uma vingança saboreada com imenso prazer. Estava certo em seu plano, logo daria o golpe final.
Neste momento os amigos bondosos, tentavam a toda maneira desviar a a tensão de Antonio de seus princípios rígidos, aqueles que o fizeram na noite de núpcias ser tão agressivo com Ania. As vibrações negativas de Ângelo envolviam a Antonio exatamente como o planejado,ele não podia deixar que uma mulher o desonrasse,por honra perdera seu filho, por honra aceitara estar unido a uma pessoa agora para ele desconhecida pela honra faria o que fosse melhor pelo bem de sua família se ela deveria se julgada que o fosse. Apenas esperaria a criança nascer , seu pátrio poder garantiria que ele a retirasse dos braços da mãe e, depois existiam cortesãs mais castas que esta estranha bruxa que o enganara ,elas o amamentariam se fosse necessário. Eles estavam em grupo no ambiente daquela sala,mas percebendo que ainda haveria maior dor naquele dia para o estimado casal, buscaram envolver Ania que ansiosa desejava ver seu amado e contar-lhe toda a sua desventura.

Ao se aproximarem da jovem, que por desacertos em seu equilíbrio pouco ou nada mais os percebia, eles se mantiveram em orações de calma impregnando a orgulhosa moça com candura e humildade, era necessário que ela aceitasse o destino fosse ele qual fosse, para que ao menos, parte de seus compromissos fossem exercidos.

Aquele ser em seu ventre, um deles, agora estava afastado de pensamentos e dores de seus pais, e mais ainda estavam eles velando para que acontecesse o que fosse este não se sentisse rejeitado ou traído por estas pessoas suas muito amadas companheiras de vida.

Enfim pediram aos seus superiores que pudessem envolvê-los em equilíbrio para que vencessem a dor que poderia machuca-los e assim pudessem auxiliar seus amados neste difícil momento.



XXVII.O difícil caminho para casa...

Meu Deus pensou foram tantos os dias no mar tanta dor saudade e desejo e porque será que Ania sequer respeitou suas recomendações, em seus últimos momento ela pareceu ser uma pessoa sensata, capaz de entender o risco que correria caso criasse algum desconforto social. Por que agora ele deveria dizer a ela o veredicto desta situação, ele não era um juiz, quando muito e isto o que mais lhe doía; um marido traído apenas para que sua esposa pudesse fazer as artes que estavam proibidas.

Teria ela envenenado seu próprio filho ainda no ventre com idéias perigosas e hábitos desprezíveis, era urgente retira-lo de seus braços tão logo nascesse. Assim ele se encaminhava ao seu palácio quando foi abordado por Patrício, o servo que fora “ajudado” por Ania.Patrício não sabia mas sua estória também fora relatada a Antonio.Na forma utilizada por de Ângelo, torta e com detalhes sórdidos.

Meu senhor deve ter atenção com sua senhora, nem tudo que dizem parece ser verdadeiro, antes que partisse já estávamos observando a vós, mesmo em seu leito para informarmos ao nosso doge.

Senhor ,eu lhe peço que entenda, que ao saber disso a nossa senhora sentiu-se traída e exposta em suas vergonha e o que fez foi exagerado ,mas um homem teria por moral ,até o direito de convocar o nosso Lorde maior para um duelo em um caso destes.

Meu servo querido não sabe o quanto ela o fez sofrer para que a defendesse desta maneira, mas acredite o perdôo, por qualquer deslize, as artimanhas de uma bruxa se conhece pela sua maldade e engana-lo no medicamento de sua esposa por si só já é uma prova irrefutável de suas heresias. Não houve bondade apenas a defesa de uma geração de mulheres despudoradas e incapazes de obedecerem aos seus senhores e esta que irá ser julgada em breve será um exemplo para as próximas isto é se estas se atreverem a nos contestar alguma ordem.

Siga em paz meu servo vá orar pelos seus pecados, eu de minha parte já o perdoei as indiscrições.



XXVIII.No palácio

Ania orava para se acalmar, pedia incessantemente a presença de seus amigos, mas eles a deixaram desde que fizera aquilo do qual já se arrependera, como foi que ela, que sempre defendeu os mais frágeis na coluna social teve coragem de tratar uma mãe com tanto desprezo, pior ela mesmo estando grávida.

Certamente merecia algum castigo de seus amigos e acreditava que a falta de senti-los era a sua punição.

Mas eles estavam ao seu lado, orando com ela envolvendo seu corpo em sentimentos de desapego aos seus bens e principalmente à sua vida. Era difícil, pois ela muito voluntariosa tinha em si o germe de um fim trágico e poderia em seu livre arbítrio escolher algo extremo para se livrar de um castigo que ela considerasse injusto.

Bem estas idéias vinham e voltavam na sua cabeça, mas os amigos pacificadores oravam incessante par que sentisse paz e se envolvesse de amor para vencer as maldades de aquele ser que outrora desejou um bem precioso de Antonio, como se a vida de sua Amália fosse um bem de Antonio. E agora entre desencantos e maldades estava tomando para si futuras culpas por não respeitar o direito a vida de todo ser sobre a Terra. Com era triste ver tantas atitudes maléficas esconder-se sobre as vestes dos que foram confiados como governantes e superiores religiosos. Orar era o que poderiam fazer e agora que sentiam a presença de Antonio ,muito mais cuidadosos foram ao envolverem ambos em véus de respeito, desapego e perdão.

Que eles pudessem captar tais vibrações já que a eles, os amigos, nada mais poderiam fazer mesmo agora ficar naquele ambiente já lhes era impossível.






XXIX.Triste encontro...

Ao adentrar o quarto encontrando Ania ajoelhada perante o oratório ele não se conteve, seguiu até ela e arrastou com violência, esquecido mesmo de sua condição, pois em breve daria a luz e certamente este filho era muito importante, em seguida arrependeu-se e se calou.

Por um segundo passou em seus pensamentos a lembrança de seis meses atrás ao se despedirem o envolvimento o carinho as promessas e os planos futuros. Mas esta mulher, era isto que era uma mulher qualquer não mais a que se apaixonara, esta talvez nunca tivesse existido fora apenas uma circunstancia e muita necessidade física sua em levar uma vida cristã sabia que mentia a si mesmo, mas não podia fraquejar.

Mas suas obrigações com esta criatura foram findadas por ela mesma.

Ao sentir-se arrancada de suas preces o pior passou por sua cabeça, sabia já a esta altura que Antonio havia estado primeiro no palácio do Doge e ainda Patrício a informara sobre tudo que ele soubera ter sido dito ao senhor de Savona naquele lugar.

Não esperava atos apaixonados mais, mas dignidade e cuidados no trato com ela eram o mínimo que poderia esperar deste homem, a quem amava e amaria até seu ultimo dia nesta vida, mesmo que este dia fosse hoje.

Ela também tomara decisões enquanto soubera de todas as acusações que lhe foram feitas e de como Antonio reagira a elas.

Um homem simples nas coisas de sentimentos e muito rígido em sua moral e regras sociais, é claro que nunca duvidaria de um parente seu superior, um homem, nem sequer defenderia uma mulher que aos seus olhos estaria ultrajando a honra de sua família. Uma mulher que fora imposta por esposa, que conquistara sua confiança demonstrando e ensinando artes consideradas ofensivas à moral, e mais ainda que fora acusada de entregar-se ou o que fosse ao seu Doge apenas para conseguir se arbitrar-se em fazer as tais “devassas artes e similares”.

Ela já sabia que não teria perdão, mas já o perdoara, apenas não viveria mais um dia de sua vida sem o amor deste homem, o amor que ela sonhou por toda sua vida, o que fizera em seu corpo um ser prestes a nascer. Sim ele nasceria ela aprendera como se portar; apenas precisava de um lugar sossegado e tudo seria feito de forma a manter esta vida, a vida que continuaria sem ela, mas que seria a continuação dos sentimentos que um dia os unira.

Nada falou,ouviu as acusações em profundo silencio,pedia a Deus e aos amigos que não a deixassem fraquejar em seu intento, pois ver Antonio tão próximo acentuou-lhe o desejo de abraçá-lo, envolve-lo em carinhos, caricias tentar provar-lhe o quanto estava enganado, mas sabia ser tudo inútil e mesmo sabendo que isto pareceria algum artifício aos olhos de seu amado ,baixou seus olhos e chorou,lagrimas como o mar que tanto amara e que já não via há muito tempo.

Logo estaria livre e, se o fosse permitido seu espírito liberto de tantas angustia e maldade poderia pairar sobre o mar em relativa paz.

Ela sabia que suicidas nem sempre alcançam um plano feliz após a morte, mas se ficasse apenas pairando sobre o mar já seria para ela um perdão de tudo que fizera.

As decisões foram tomadas e apenas caberia a ela acata-las, seu marido era o responsável pelo veredicto que ouvia e as suas decisões também estavam tomadas.

Sem saber Antonio colaborou com o desfecho desta historia.

Ao estar enojado de Ania humilhando a jovem com palavras duras e desabonadoras ele ficou exausto em seu espírito. Não sabia fazer isto, mas fazia parte da punição recebida por todas estas mulheres, serem humilhada por seus queridos e afastadas deles, como seres pestilento que eram à moral e a boa ordem social, e seguindo as ordens, assim foi feito.

Terminado o tempo da humilhação ele esteve exausto, mas não descansaria, primeiramente, mais por pena que por obrigação; deixaria a ela um tempo para que se despedisse dos seus familiares, aqueles que também não a abandonaram, enquanto isto iria ao porto e terminaria de trazer seus barcos para a cidade.

Como ele fora determinado como seu algoz por algum tempo, ele poderia e o fez ,determinou que no próximo dia ela estivesse livre, para se despedir da cidade e de tudo que amava, depois disso viria a humilhação publica, e não seria torturada fisicamente até que a criança nascesse,mas depois ela estaria nas mãos dos espanhóis.Assim ele rumou para o porto sem saber que dera a Aniella de Antonietto a liberdade necessária para levar seu triste plano adiante.







XXX.Pedido há fazer...



A senhora Ania solicitou a presença de Patricio e da esposa, neste momento difícil, era com eles que ela pretendia contar para levar seu plano adiante.

Meus amigos, eu sei que fui injusta convosco,peço desde este momento que me perdoem,estava tão desesperada nos tempos que se passou que acabei atingindo vossa família, mas a vossa compreensão e o vosso auxilio, apesar da tão grande dor por que passaram fizeram de mim muito grata e, de alguma maneira devo recompensá-los.

Amanha estarei de partida, não informarei para onde, porque poderia interferir em vossa segurança, já sois tão espoliados de vossas vidas que prefiro deixa-los em paz. O segredo de para onde vou não será uma culpa em suas vidas.

Porem posso apenas contar com a vossa discrição e, se forem cuidadosos deixo-vos o mais caro de meus bens, não deveria assim dizer pois,não somos donos de vidas ,mas neste caso creio ser o modo mais correto de informar-lhes o que pretendo realizar.


Como bem o sabem, conheço de plantas e deste conhecimento veio toda a minha desgraça,porem não acredito que algo feito pelo Pai para nos alimentar e curar, possa ser realmente algum mal.Acredito sim que a forma que empregamos determinadas substancia e a intenção de usa-las que causam transtornos,sim pude ver como os causei,mas agora não há mais tempo para explicações.

Tenho apenas um dia e assim será ao invés de despedir-me de meus familiares conto com vocês para que entreguem apenas esta carta aos que ainda me são leais. Se não sentirem-se seguros para fazê-lo não o façam, pois vocês que andam pela cidade e conversam com os criados sabem bem em quem podem realmente confiar.

Em seguida tenho alguns cuidados há tomar e confio em sua esposa para me auxiliar nestes momentos.

Já preparei há algum tempo um chá que pode apressar o nascimento desta criança,não temam por sua vida ,pois este deve vir ao mundo no maximo em dois dias,e nada de mal acontecera a ele se nascer um dia antes.

Devo dizer que muitos animais no campo, comem de algumas ervas e tem suas crias, adiantado, mas nem por isso eles às tem sem vida, sendo saudáveis, em geral, elas sobrevivem e assim será com este ser que tenho em meu ventre.

Porem o seu futuro dependerá de vocês. Sei que há alguns dias estiveram no campo para auxiliar o nascimento de seu sobrinho, e sei também que infelizmente ele e a mãe vieram a falecer, creio que isto ocorreu há cinco dias. Se estiver certo então meu plano será executado em segurança.

Ao receber a afirmativa sobre o tempo, vinda de Patrício e da esposa, Ania agradeceu aos Céus, pois poderia mesmo distante proteger o filho de seu amor por Antonio, um inocente, das maldades imaginadas pelo senhor de Genova, o duque de Ângelo.

Assim mesmo de forma humilde, ele cresceria entre pessoas amorosas e capazes de ensinar-lhe sobre amor,humildade e respeito entre as pessoas e não se tornaria, nas mãos de tão horrível homem, um inimigo de seu próprio pai.

Meus amigos, únicos nesta hora de dor, sei que a casa esta toda sendo preparada para o festejo da volta do vosso Senhor ,assim todos os outros criados encontram-se ocupados demais para observarem as nossas ações a partir de agora.

Preciso antes informar que se formos pegos durante tais manobras vocês também serão tomados por hereges e junto comigo estarão em um tribunal de farsa e maldades.

Patrício muito emocionado respondeu que se não fosse a cobiça ter afetado os seus princípios nunca teria contado segredos àqueles homens sádicos, agora precisava penitenciar-se por ter sido cúmplice nas mentiras que a levariam às torturas já conhecida e ao fim em porões ditos tribunais religiosos. Estariam com ela e se fossem descobertos eles sabiam também que puderam viver os últimos meses com direitos que nunca tiveram, graças a atenção e cuidados oferecidos sem qualquer cobrança pela senhora.

Eles a ajudariam sem perguntar nada em tudo que fosse preciso, mas ainda não haviam entendido o que de fato aconteceria.













Vidas XXI, XXII, XXIII, XXIV, XXV

XXI.Em tempo de partida, uma grande dor...

Um dia antes da partida Ania amanheceu mais cansada que os dias anteriores e pensou que a tristeza por afastar-se de Antonio estava deixando seu corpo enfraquecido, mas infelizmente não era.

Ao deixar a cama viu o leito manchado com sangue, como ela não percebera, as dores foram ficando tão fortes que só pode gritar pelo esposo que acudiu com presteza, mas ao vê-la em sofrimento também se sentiu infinitamente frágil e triste.

Uma vida que eles não sabiam estava se formando, perdeu-se naquele momento, em suas mentes somente uma pergunta, poderiam novamente, ter um filho.

Muitas mulheres ficavam inúteis quando passavam por tais experiências, seus órgãos secavam e nunca mais podiam engravidar.

Por sorte ele ainda estava em casa e foi com suas próprias mãos que preparou a medicação necessária para aquele momento.

Ela a fizera outras vezes sob vistas de sua avó e agora ensinara ao esposo como faria.

Na cabana da floresta, sozinho, ele pediu novamente aos Céus que pudessem permitir-lhe uma nova oportunidade, na sua volta.

Ao retornar à cidade, agora acompanhado por seus valetes, seguiu para o palácio do Duque.

Informou-lhe do infortúnio ocorrido e de pronto ouviu uma ordem, que desta vez aliviou seu coração, pois era o que viera pedir.

Prepare tudo e envie seus homens de confiança, é também importante que nossa família seja continuada, é uma ordem, que espere o tempo devido e, ao menos deixe uma semente neste ventre que tens como mulher.

Novamente a forma vil de falar, mas nem se incomodou, seria humilde já conseguira muito mais do que buscara. Apenas veio pedir que ele pudesse ficar ao lado de Aniella pelo tempo de sua recuperação.

Mais uma vez Deus ouvira suas preces...






XXII.Momentos para sempre...
Durante cerca de quinze dias foram difíceis momentos sem saber se as dores passariam, mas findo o período de limpeza, ela sabia como soube em outros tempos que sua saúde havia voltado.
Nas conversas pela manha logo após suas orações, ambos sentiam-se envolvidos por lembranças felizes de seus amados familiares, era com se eles os encontrassem em sonhos para abençoar-lhes a união.

Quando não eles se relatavam encontros idênticos com os amados seres alados que agora sabiam os protegiam desde suas infâncias.

Encontrou identidades nos gostos de ambos, de uma estranha maneira, o interesse dele pela cultura egípcia, para ela, o conhecimento fora incutido pelas estórias de Horiab.

Ele que já desejara uma suave “esposa do deserto” pudica e sedutora; ao mesmo tempo descobriu que em Ania vivam as marcas de ensinamentos de uma filha das caravanas.

Quando em seu quarto a sós ela se tornava uma excepcional bailarina com os olhos pintados à moda moura. Que os governantes jamais soubessem, pois isto lhes despertaria sentimentos desprezíveis, estranho pensar isto neste momento imaginou Antonio.

O tão intrigante pensamento talvez tivesse origem na curiosidade que agora tomava os servos “tão leais”

Por medo talvez de serem colocados como colaboradores nas infames prisões da Inquisição estes se comprometeram com o governante de informarem totalmente o que se passava no palácio de seu aparentado o Senhor de Savona.
E, estavam fazendo mesmo antes do senhor partir.
Dois meses se passaram em segurança, as regras agora foram observadas cuidadosamente e realmente se foram. Retera a semente tão esperada em seu órgão, não era seca.

Com alegria pela graça, eles também compartilharam das obrigações da viagem.

Pela ultima vez ela seguiu até o amado porto em total liberdade, estavam juntos e não se importaram em darem as mãos como qualquer aldeão ou servo em dia de festa. Estavam felizes e, não desejavam esconde-la neste momento que por muitos meses seria o ultimo.

Se tudo corresse como o esperado, se os empregados que foram antes tivessem feito o esperado ele voltaria ainda para o nascimento da criança.

O dia estava começando, mas as cores pareciam com as do crepúsculo, a partir de agora de seu balcão veria o mar ao nascer e ao por do sol.

Alegrar-se-ia todos os dias por mais um dia chegar e trouxer seu amado de volta. Foi sua promessa ao abraçarem-se e publicamente beijarem-se á partida.

Antonio ajoelhou-se, um escândalo, e beijando seu ventre, ousadia muito perigosa, disse como para a criança que seu pai o amava e estariam todos os dias encontrando-se em sonhos.

Foram ingênuos, não perceberam a trama que estava se criando no escondido das regras e no poder daquele que ordenou que se cumprisse à gestação deste novo ser.




XXIII.Só entre os poderosos...
Os primeiros meses foram de cuidados muito extremados por parte dos serviçais, sentiu-se protegida, confiou então em seus servos como Antonio pedira.
Quando pode novamente andar e se movimentar sentiu necessidade de seguir com muitos de seus compromissos, desde que se casara nunca mais tivera tempo para cuidar das ervas de sua avó algumas eram raríssimas e temia que se perdessem.

Ate ao palácio de sua família não estava proibida de ir, mesmo porque nele ainda se encontravam parentes e servos que cuidaram dela na infância e estes se alegrariam com a suas visitas.

Estavam na verdade preocupados com uma serie de estórias que surgiram por parte dos servos de Savona e que era sabido já haviam chegado aos ouvidos do Doge de Ângelo.

Fora informada que os servos contaram em detalhes suas noite com o seu esposo como se ela fora uma cortesã, alem de dizerem que suas bruxaria é que fizeram com que o senhor mudasse seu modo de cuidar dos negócios. Já que agora ele repartia seus lucros em partes proporcionais com todos os empregados e não apenas com os servos mais antigos.

Mas o pior foi dizerem que as ervas de sua avó eram de espécies mágicas o que provocou a curiosidade dos “médicos” que as requisitaram para si e a ira da Inquisição que enviara agora um conhecido padre espanhol especialista em venenos para destruir tudo que fosse ofensivo, ou seja, mágico, no falatório geral.

Mas porque, pensou Ania que motivo teriam eles de incriminá-la se ela desde a partida de Antonio em momento algum desfez de qualquer ordem sua, e mais ainda tratava todos com respeito e humanidade como aprendera com sua amada avó.

Deveria haver algo errado. Mas ela mesma poderia averiguar isto.

O Duque era também seu parente não lhe negaria uma entrevista.

Por um momento pareceu sentir sua avó a dizer-lhe que se mantivesse em silencio sempre perante aqueles homens, mas por outro lado aprendera com ela a não temer responder nada a ninguém, saberia o que fazer.

Pediu auxílio aos Amigos quando passou pelo mercado, pelo porto, viu o mar, estava com saudades do perfume muitas vezes sufocante, mas para ela uma benção, pois remontava a toda sua vida.

Ah e é claro as poças continuavam como na sua infância repletas de borboletas de todos os tamanhos das mais diferentes cores.

Pensou consigo; que iria precisar de sua suavidade e desenvoltura neste momento de prova.

Preciso guardar comigo algo de alegre nesta vida para vencer a prepotência e a força brutas.

Não sabia ainda o que aconteceria consigo, mas temeu mais ainda por seu amado Antonio.

Sua presença solicitando audiência do Doge causou estranhamento entre os poderosos que se encontravam no local, o que aquela mulher, em condições que deveria manter-se em casa, quereria do seu governante. Não sabia ela que assuntos sérios deveriam ser tratados por homens e depois, ela sabia que seriam os valetes de seu esposo os responsáveis por suas necessidades e,onde estariam eles.

Pelo laço familiar o senhor de Ângelo a recebeu, já ouvira falar de seu desprezo pelas mulheres de sua família, mas sentiu ao adentrar em seu escritório particular mais que isto. Já vira este olhar entre alguns médicos, quando na infância muitas vezes fora examinada. Sentiu-se atordoada, mas seguiu.

Precisava saber por que destruíram os canteiros de sua avó, eram plantas muito raras, vindas de lugares onde seu pai e avo tinham comercio, mas que custaria muito uma nova expedição apenas para recolher plantas. Fora uma perda financeira, sem falar de como eram valiosas no tratamento dos menos afortunados. Oh, dissera alem do que deveria, pois sentira no sorriso expressado por aquele homem, que insistiu que ficasse á sós, um prazer que já sabia quando observara alguns senhores castigando duramente seus servos.

A primeira coisa que devo informar a senhora dona Aniella de Savona é que jamais deveria vir a este lugar onde os assuntos discutidos são demasiado sérios e proibidos para alguém neste estado. É vergonhoso saber que a mãe de um futuro governante desta cidade se dá caminhar entre as vielas no meio do povo, como uma serva sem o menor respeito à sua classe social e porque não dizer mesmo ao senhor seu esposo que se encontra longe cuidando dos nossos interesses.

Fomos informados, por ele mesmo, que seus servos e valetes de confiança cuidariam de abastecer a casa e servi-lhe nos menores detalhes, acaso isto não esta acontecendo?

Ela não se conteve e inesperadamente interrompeu a fala do duque perguntando se servir a eles, o casal, com lealdade era enviarem relatórios de suas noite no leito de casal, era sagrado o leito e isto, isto era mesmo de parte regia da família, uma afronta que ela relataria ao marido quando voltasse.

Pensou que desmaiaria e procurou uma cadeira para sentar-se, ao que o governante respondeu que tomaria por um insulto gravíssimo ela assentar-se já que ele seu superior em todas as hierarquias, encontrava-se em pé.

Mas continuou agora, aproximando-se dela, e dizendo que se soubesse que sua saúde era de tal forma, tão fogosa poderia ele mesmo ter-lhe introduzido no ventre uma semente regia, mesmo sendo ela uma cortesã, pois é o que teria se tornado após servir-lhe, jamais teria esposado uma aprendiz de serva e bruxa, Poderia ele reconhecer como filho o de qualquer uma, dado a sua condição de poder.Quanto tempo perdido ,ela andava livremente aos olhos de servos e oficiais com roupas leves ,tudo ele sabia,não cabia a ela discutir a sua utilidade , uma mulher; estava marcada em seu ventre e ,apenas isto importava.Que voltasse à sua casa e de lá não saísse .ate a volta de seu senhor ou esposo caso ela preferisse assim dizer.

Não havia mesmo mais nada há dizer, chorando ela saiu e isto causou ainda maior curiosidade entre aqueles homens que sabiam de suas capacidades físicas, graças às indiscrições dos “seus guardiões”. Naquele momento comentou-se se ela não estivera lá apenas para servir o governante, com préstimos que outras cortesãs se negariam, pois ele era dado aos exageros em seus momentos de prazer,humilhar e fazer com que a pessoa sofresse ,implorando algo,aos seus olhos era para ele melhor que qualquer conluio com uma mulher ,já estes atos ,nem sempre se consumavam.Somente a dor causada pelo seu poder vista de cima o aliviava de suas tristezas e solidão.

Se ele O maior no Puder sofria, seus súditos deveriam também ser envolvidos pelo poder de sua dor...
Ao ficar só novamente; se definiu o futuro de Antonio e Aniella.A criança nasceria mas ambos seriam denunciados pelos servos agora fieis apenas às suas ordens,como pessoas depravadas e hereges.Recolheria a criança aos seus cuidados e eles ,bem eles ,renderiam a ele uma grande fortuna familiar,quando fossem condenados,ou melhor ;seria mais apropriado vê-los “venderem “ seu filho a ele pelo direito de serem livres em qualqwuer lugar no Oriente onde poderiam estar entre os seus pares.
Que maravilha apoderar-se desta criança e ser seu tutor, poderia ensinar-lhe tudo e ainda teria prazeres que não deveria mencionar...
Estava mais uma vez tudo resolvido.

Finalmente poderia vingar-se de ser preterido por Amália,sendo também seu parente e mais nobre na linha de sucessão, era ele o seu obvio marido ,mas a criação degenerada e livre fez com que ele fosse preterido, por esse pobre coitado de Savona.

Agora o bem mais precioso seria seu isto se ainda não aproveitasse para divertir-se com esta tola que se faz uma bruxa poderosa. Ora poder mesmo só aquele que lhe foi confiado, pelo dinheiro e as ordens da igreja, sobre ele ninguém mais.






XIV.Era preciso agir...






Ao retornar ao palácio Ania decidiu-se voltar à casa de seus parentes, sua casa de família e foi recebida com muito carinho, mas todos a partir deste momento sabiam que corriam riscos em seus direitos e liberdades.
Ao sentir que poderia fazer mal aos seus amados parentes resignou-se em voltar ao Palácio de Savona.
Antes, esteve acompanhada de servos fieis aos seus familiares na cabana da floresta, sentiu novamente o peito apertado por muita dor. A casa fora parcialmente destruída, agora, só restara à cozinha a mesa de pedra, baixa os bancos de pedra também e é claro o fogareiro onde podia prender uma vasilha para que obtivesse a fervura das plantas ou o alimento cozido, de forma muito simples, mas eficiente.

Procurou pelo quintal por algumas plantas muito raras e, essencial para o que a partir daquele momento desejara fazer.

As encontrou onde sua avó escondia, por sorte não revolveram as terras, não encontrando o velho esconderijo, melhor assim.

Guardando as mesmas junto a seu corpo rumou para seu palácio de onde aparentemente seguiria as ordens do governante. Mas ninguém poderia impedir que ela cozinhasse as suas próprias refeições. Curiosos que eram eles não deixariam de querer prová-las era com isto que ela contava.

Na volta passando talvez pela ultime vez pelo seu estimado porto, sentiu um desejo de jogar aquilo tudo no mar, parecia ouvir de sua avó que era preciso que fosse mais humilde, para que estivessem protegidos de males muito maiores.

Ah sua avó, ela não diria isto jamais, ela fora livre a vida toda e ensinara a ela como fazer todas as drogas que soubera bem utilizar. Não, ela, com certeza, o faria da mesma forma que agora se dispusera a fazer.

Ordenou aos servos e suas esposas que deste momento em diante usaria em sua alimentação algumas plantas, que tinham por ação favorecer os momentos da maternidade faze-la mais tranqüila, em vista de sua atual condição de cárcere e privado.

E representou nos dias que vieram de forma a convencê-los que aquelas plantas muito perfumadas de fato a estavam acalmando e dando a ela vigor necessário para o parto que em mais ou menos um mês seguiria.

Dentro de si, todos os dias a dor era imensa, dor de não ter ninguém com quem pudesse falar, de estar separada de seu amado esposo e principalmente por ter que levar adiante uma vingança que ela mesma considerava bastante cruel.

Mas se foram cruéis com ela, que tantas vezes cuidou deles e de seus filhos, com atenção, era justo também que ela lhes mostrasse não ser uma tola que facilmente seria levada a algum tribunal.

E finalmente um de seus servos veio pedir para sua esposa os chás perfumados que ela preparava diariamente, eram apenas as plantas de sua avó as melhores, mas que sendo descuidados em seu preparo poderiam causar intenso desconforto em alguém, em estado semelhante ao seu.

Era com isto que ela contava, sabia estar sendo cruel, mas a vingança já estava se realizando.

. Eles foram imensamente cruéis contando das intimidades do casal na casa do Doges, podem ter sido obrigados, mas ganharam liberdades possíveis de observar com isto.

 Quando alguns dias depois o empregado veio dizer-lhe que a esposa estava bastante mal, não sentia mais movimentos da criança, ela se apressou em conferir, chegando às acomodações dos empregados pode perceber que a criança já não tinha vida dentro daquela mãe. Foi além da expectativa, a culpa atingiu-lhe de forma extrema, mas estava feito e agora deveria levar adiante a lição.
Fez uso no momento de técnicas medicas e plantas comuns para que a mãe pudesse

livrar-se da situação tão agressiva a sua vida, E depois, quando informou ao servo que agora seriam cúmplices naquilo que os governantes chamavam de bruxaria. Pois o descuido do mesmo com a quantidade de medicamento fizera com que a esposa perdesse o filho deles a agora só as técnicas banidas, aprendidas com a sua avó e Horiab poderiam salvar-lhe a vida.
Pode-se ver que fizera o efeito desejado, pois ajoelhado o servo implorou que nada dissesse aos governantes e que ele de sua parte não irai acusa-la como o combinado com o senhor de Ângelo perante seu esposo quando de sua volta. Marcada e confirmada para uma semana dali.

Meu Deus como eles sabiam e ela não fora informada?

Precisava cuidar de a casa arrumá-la deixa-la alegre para receber o seu amor.

Seria cordata e se prepararia para expor a ele o real acontecido. Sem mentiras ou situações inventadas para que ela fosse desacreditada.






XXV.Um sonho em alto mar...

Há dias ele sabia que estaria em breve novamente na cidade, agora só restavam sete ou dez dias para adentrarem o porto de Genova.

Recolhido à sua cabine nos últimos dias por indisposições que estranhamente o atingiam ele passava seus dias em um transe parecido com sonho, mas não era, por que ao mesmo tempo em que percebia seres alados falando ao seu “coração” podia também ver o decorrer dos dias em seu barco.

Um encontro, destes foi decisivo para sua volta mais urgente. Dona Catharina apareceu-lhe em uma forma brilhante, com vultos alados a envolvendo e dizia que ele, seu neto, agora estaria na prova de humildade e compreensão que faria dele e da vida de Ania uma nova condição de amor e crescimento, seriam pedidos desapego e perdão, mas acima de tudo que se confiasse um ao outro sem dúvidas ou magoas.

Tal encontro fez seu peito doer muito, mas acalmou-se orando.

Nestes tempos no mar conheceu um mestre capelão não era propriamente um padre, mas um frade de uma das novas ordens que estavam sendo criadas nestes últimos tempos, mas esta pregava algo diferente, mais tolerância, respeito, desapego e caridade. Ao conversar com frei Miguel pode pedir que ele ore também por sua Ania, ela sozinha entre estranhos ,poderia algo estar acontecendo que a colocaria em evidencia um tanto desagradável,mas junto com o frade oraram para que todas a tristezas se desfizessem e seu coração se preparasse para o encontro; que seria em breve.