sábado, 11 de junho de 2011

Vidas VI, VII, VIII, IX, X

VI.Outros mistérios de crescer...
Aprender a ser mulher sem  saber ao certo se o seria, ou melhor se a função feminina num casamento seria exercida, era estranho, dentro da casa não seguiam as regras novas de obrigatoriamente se portarem como religiosas, eram castas sim, mas aprender como nascem os animais, auxiliando o seu nascimento e observando as semelhanças com os homens era uma forma de se transmitir o conhecimento familiar de Dona Catharina a neta. E também como estes animais se salvam de picadas venenos e, claro como se evitar que inconvenientes aconteçam quando não são desejados. Nestes tempos de solidão muitas vezes mulheres foram abusadas, e ao retorno do marido, mesmo sendo inocentes, a moral as considerou culpadas, muitas vezes, fazendo parte do julgamento, como acusador estava o proprio malfeitor e assim restando serem expulsas de suas famílias e se tivessem sorte se tornariam cortesãs ;quando não fossem castigadas tão extremamente que vinham a falecer. As crianças quando nascidas, seriam mais algum servo com traços nobres entre os mais sofridos trabalhadores destes senhores, pagando por algo que sequer imaginaram o que seria,ou levados para outros reinos seriam abandonados em florestas à própria sorte.
Mas  precisavam ser cuidadosas, com os novos tempos. Mesmo estando protegidas pela liberdade desta cidade mercantil, o seu Duque agora se encontrava também sobre as vistas do Papa, ou seja, Roma estava muito perto e junto com Ela todos aqueles que a regiam pelo preconceito e avareza de sentimentos como dizia Horiab.
Assim pode Aniella conhecer de perto a força das magias, seus sonhos a alegravam muito, pois eram lindos, mas ser poderosa e respeitada como a avó era agora um desejo muito forte em seu peito.
Em algo seria importante, faria o bem conforme foi dito no sonho infantil, seria cordata com o marido arranjado, porém em suas longas ausencias seria dona de si mesma e de seus atos com tinha vivido nestes últimos seis anos.
Sua saúde, poucos sabiam, mas de acordo com as suas companheiras nada de errado havia, não era preciso alardear a ninguém, mas a avó acreditava que ao se consorciar em casamento em breve ela poderia ser mãe e tornar mais felizes aqueles que a amavam, tanto...







VII.Um encontro no balcão...

Com a volta de seu pai e os festejos desta volta, vieram outros mercadores, um deles, chamou a sua atenção, o seu olhar triste não deixava perceber ao certo qual sua idade ou mesmo se era ou não da cidade...

Soube apenas que o Duque pagou um resgate enorme em jóias pedras e outros bens para que ele não sucumbisse nas prisões mouras...

Estava a serviço das Cruzadas e fora capturado, mas as boas relações comerciais do senhor D´Antonietto o salvaram.

O homem com olhar triste, chamou sua atenção, ao servi-lo de vinho durante a ceia oferecida à chegada , seus olhares se cruzaram intensamente. Olhar estranho como se visse a sua curiosidade sem que ela mesma tivesse demonstrado, aprende-se muito ficando quieta por horas, até mesmo a parecer pedra sem o sê-lo. Mas o estranho fez com os olhos um sinal de que percebera a sua curiosidade.

Estava quente a noite por isso nem foi estranho que saíssem para o terraço de onde podia ver o mar e parte das embarcações que acabavam de ser descarregadas neste anoitecer.

Que olhar triste para um homem nem tão velho e que agora estava livre dos sarracenos, devia comemorar sua liberdade, e ia perguntar isto quando se percebeu próxima a ele no balcão. Estranhamente o que ouviu foi a sua estória em poucas palavras. De súbito ele começou.

Considerando que você seria a esposa de meu filho sinto me obrigado a contar porque não é mais possível seguir com este compromisso.

Ao iniciarmos a viagem até Constantinopla formos capturados por alguns homens do deserto e, como não estávamos armados ou possuíamos bens ou ouro, não pudemos oferecer nada em nosso resgate, nem pudemos avisar nosso protetor entre os da raça, pois se tratavam de tribos rivais.

Assim não possuíamos o que fomos buscar e nem mais a nossa liberdade.

Tratavam-nos com dignidade até que ocorreu o nosso resgate, que não foi completo, Antero ficou com outros dos nossos, não pode ser resgatado. Então sofri a pior dor que sente alguém ao perder um filho muito amado.

Enquanto buscávamos reorganizar agora um resgate, com pagamento, afinal havíamos sido devidamente tratados por longos 18 meses, recebemos aviso de um ataque à nossa caravana, porem a escolta logo informou que poderia ser algo muito diferente.

Arrastados pelos pés estavam os em seu poder e entre eles meus filho, nus as partes de seus corpos sangrando e seus olhos sem vida. Jamais esquecerei a barbaridade destes homens em nome de algo que nem sei mais se existe, Honra. O motivo estava escrito talvez com seu próprio sangue, pois ao nos tratarem com respeito não aceitaram que nós tivéssemos fugido sem ao menos os honrarmos com agradecimentos, portanto devolviam-nos o restante de um fardo que não mais os interessava. Estranha forma de cobrar a honra...

De lá pra cá já tentei dar fim a minha vida por diversas vezes, mesmo no barco de seu pai deixei-me cair ao mar pensando não ser visto, mas, o nosso Duque, meu aparentado comprometeu sem pai a trazer-me com vida, será por pouco tempo. Sinto contar algo tão triste a uma joven como você mas percebi sua curiosidade e preferi ser eu o revelador de tão grande desgraça,antes de qualquer alcoviteira desta cidade.

Aniella pensou em como poderia ajudar este senhor tão jovem e tão envelhecido, pois mesmo sendo pai de seu falecido noivo, deveria ser no maximo uns 20 anos mais velho que ela mesma, se não fossem os seus olhos, poderia ser um irmão mais velho, tão jovem ele aparentava ser junto a seus pai e avô.

Então ela lembrou-se de que poderia ser pedido que alguém da família se comprometesse com a responsabilidade do casamento e perguntou se Antonio não tinha mais filhos, muito pior foi ouvir que ele mesmo era viúvo como seu pai e também por muito ter amado sua esposa não se resolveu a casar novamente, mas calou-se em seus pensamentos sem continuar a conversa.

Estava ficando frio e voltaram ao salão ainda para as danças que acabavam de se iniciar.

Aniella não dançava, ao menos não este tipo de dança, aprendera com Horiab, outras mais próprias para casais apaixonados, mas esta exigia passos um tanto complicados que revelariam seu pouco equilíbrio.

Isto chamou atenção de Antonio que retornou a sua companhia.

Sem vergonha de sua estória, em pouco tempo contara a ele das desventuras de sua infância, ficou penalizado e intrigado em como ela sobrevivera a tão forte acidente. Mas Deus tudo pode. Só não pode salvar seu filho de tão triste fim.




VIII.Uma ordem do Doge...

Passado alguns dias , o Duque de Genova um Doge de parentesco com Antonio de Savona e Luigi Antonietto os convida para um encontro pessoal.

Não faziam idéia quais assuntos seriam tratados, mas imaginaram tratar-se da saúde de Luigi , pois haviam todos aqueles senhores médicos que faziam um séqüito no palácio ducal.

Estamos entre parentes, o somos de maneiras variadas, foi a frase do Doge Angelo, continuou que sentia-se confortável entre seus pares, não seria uma conversa formal, mas um pedido de família.Ou seja, uma ordem disfarçada. Mas o que, pensaram...?

A tensão se elevou, não sabiam onde o mandatário queria chegar os três não tiveram herdeiros, e logo a linhagem familiar de qualquer dos ramos estaria destruída.

Então ele fez o pedido, sob a forma de pedido, era uma dolorosa ordem a Antonio di Savona. Consorcie-se com presteza com a signorina D'Antonietto

Não admito recusas, o poder econômico e administrativo de nossa família necessita muito rapidamente de um herdeiro mesmo que por parentesco apenas, para que possamos manter-nos no comando deste reino.

E não admito que meus parentes me abandonem nesta hora depois de tanto sacrifícios para lhes resgatar.

A oportunidade de um filho entre ambos, me foi garantida, por meus doutores em medicina, já que estes a exploraram em todas as atividades possíveis e concluíram que mesmo sendo uma pessoa com defeitos físicos apresenta-se compatível com a função essencial de esposa deitar-se com seu senhor e dar-lhe rebentos para continuar o nome de sua família e, isto certamente sua filha Antonietto,apesar de coxa e sem atrativos pode muito bem vos fazer. Estaremos entre famílias e deslizes masculinos por parte de Savona terão de ser perdoados,afinal é apenas uma questão de direito ao Titulo ficar entre nós e, o livre comercio manter em seu poder através de nosso herdeiros.

Envergonhados com tanta indiscrição os amigos se entreolharam com lagrimas nos olhos, mas por respeito acataram as ordens superiores.

Não sabiam ainda com levar a noticia àquela jovem tão cuidadosa de ambos porém, a sua maneira ela já sabia de algo a se realizar...


 IX.De novo as borboletas...

Lá junto ao mar, apesar da imensidão ela sempre se sentia acalentada, o por do sol parecia queimar a pele sem que doesse ou sentisse medo, era simplesmente lindo. E ver-se sobre o efeito destas luzes parecia que ela mesma tivesse cores novas e voasse junto com as amigas, as borboletas do porto.

Ela muito suavemente, sentiu-se saindo do corpo e flutuando para algum lugar entre a vista do mar e o céu, nada sob seus pés e um espelho do céu em seu olhar.

Que lugar tão lindo seria este e como seria possível sonhar agora que estava tão consciente de tudo ao seu redor, há pouco vira uma gaivota levando um peixe no bico e as suas asas quase a tocaram; muito estranho, mas não estava com medo.

A lembrança de algumas vezes passar por esta sensação na sua infância, mas fazia tanto tempo...

Então uma voz calma disse para ela prestar atenção no balcão e sentar-se, nada ouviu e tudo soube fazer como ordenado.

Minha querida um encontro decisivo em sua vida se faz a partir desta data.

A escolha não pode ser mudada, pois as nossas forças não se medem em negativas, mas em aceitações, tudo que puderes fazer em bem o faça, sem medir esforços, não se encante com segredos, eles são assim mesmo apenas segredos, seja viva e boa e a vida será para vocês uma nova oportunidade de encontrar paz após longos anos de desencontros.

Suas perguntas procedem, mas não posso tomar mais tempo falando sobre mim, apenas acompanho sua jornada algumas vezes mais próximo e outras não, mas ambos você e Antonio devem um ao outro, compreensão e esforço comum, para construírem uma família, que não seja destruída por políticas e cobiça.

São frases fortes, mas seu conhecimento interior e o dele irão fazê-los, serem para consigo, muito melhores do que já foram.

Além do mais as lembranças deste momento serão como um perfume ao saíres deste transe. Não se esforce em descobertas enganosas, nem venda os seus melhores cuidados por ilusões.

O que um homem e uma mulher criam em família é muito maior que todo poder que um reino pode lhes oferecer.

Não se esqueçam disto novamente...

Desta vez o retorno à realidade foi um forte suspiro, algo estranho apertava o seu peito, mesmo tendo certeza que tudo estava bem naquele lugar onde se sentia tão feliz.

Partiu rapidamente para casa, pois intuía que os Senhores a esperavam.

Foi preciso despir-se e lavar-se antes; por que ao retornar passou muito rapidamente por algo que a fez sentir-se enojada de ser alguém tão feliz.

Uma jovem quase de sua idade, grávida vestida em farrapos sob uma carroça agarrava um rato para comer, aquilo a desesperou de tal forma que retirou sua capa e entregou a moça, cobri-la era algo necessário a se fazer, mas ainda teve que se aproximar mais, para dar-lhe alimento. Aquela condição grotesca a deixou enojada de si e de como poderia ser a vida de uma mulher sem a proteção da família.

Pensou para consigo, aqui estou protegida, mas temeu por seus conhecimentos.

Soubera que algumas mulheres estavam agora presas como hereges ou bruxas em condições desumanas apenas por fazer o que ela fez, mas não ali onde seus familiares governavam. Isto a fez sentir-se enojada e cair de tontura, portanto, para que não percebessem sua angustia demorou-se a se banhar e apareceu muito radiante diante de seu pai e do Senhor de Savona.


X.Uma união planejada...

Uma sensível perda ocorreu quando por poder, Hamnerid e Hassar traíram se mutuamente, nada poderia superar uma dor, uma perda assim. Eles poderiam ter ido embora, deixado Tebas e como desconhecidos construírem uma família. Havia sempre a necessidade de escribas nas grandes cidades e não apenas no Egito; Síria e Fenícia estavam em evidencia comercial... Em uma trama vergonhosa e horrenda as traições e o destino puseram fim à vida de seres que se destinaram contruir algo mais, uma família.

Era preciso que tivessem muito cuidado para que este sentimento , que os uniu e depois separou, com características construtivas em seu âmago, não retornasse mais por egoísmos individualistas, causa de perda para ambos. Que os anjos os ajudem... E os ajudarão, em novo encontro, alguns séculos daqui.

Antes do consorcio...

A noticia da união tomou toda a cidade, mesmos os servos, queriam entender como poderia, ser um casamento tão estranho e triste.

Um homem que tantas vezes procurou a morte nos últimos meses e uma jovem sem possibilidades de ser mãe, tão comum em animais que sofreram acidentes e sobreviveram, as fêmeas ao se emprenharem, morreram com seus filhotes na barriga.

Muito se especulava e isto entristecia mais ainda Antonio, que aceitara a incumbência por imposição social, embora estar junto de Aniella seria bastante agradável, a solidão fizera a jovem sabia e conhecedora de assuntos até para ele intrigantes; mesmo ficando em uma casa, sabia muito dos arredores; das populações em migração da pobreza, doenças, assuntos muito corriqueiros, pensar em coisas do Oriente, muito mais intrigante ainda, falava de civilizações que foram destruídas com o tempo, linhagens reais, estranho para uma jovem, mas com alguém como Horiab, como serva, bem seria possível. Falava-se muito da serva com ares de senhora e considerada como igual pela velha dona Catharina.

Sempre ouvira falar que sua parenta e a serva eram mulheres estranhas, conhecedoras de plantas, disfarçavam se das más línguas que as chamavam de bruxas ou descendentes de herejes.

Entre fenícios, artes medicas e magias sempre foram transmitidas às sacerdotisas familiares, melhor sequer pensar em assuntos que poderiam leva-los aos novos tribunais que julgavam com interesse financeiro e nenhum cuidado real, estas causas.

Os cataros, que nem realezas puderam salva-los. Exemplo vivido de que o silencio até de pensamentos sobre o assunto seria a via mais segura, para todos de sua futura família, mas por que se incomodar, se eram apenas divagações.

Com Ania não se passava diferente, o que fazer para agradar um senhor tão inteligente e ao mesmo tempo tão infeliz com sua vida. Todas as vezes que se encontraram durante o curto noivado falaram quase sempre de seu filho e, como ela muitas vezes tentava mudar o assunto acabaram falando de coisas que ela soube por viver com suas guardiãs, jamais imaginou que fosse possível lhe contar de suas fugas para ajudar as pessoas famintas que atravessaram a cidade nos anos passados ou que muitas vezes fora a encontros com outras mulheres distintas em auxilio às jovens que enganadas precisavam de auxilio para não serem julgadas e se enclausurarem em conventos, muitas vezes nos mesmo, onde se encontravam aqueles que delas fizeram repreensível uso. Como certos homens tão respeitados podiam desrespeitar tanto as vontades de outras pessoas, de jovens que apenas se encantavam com seu poder e se deixavam muitas vezes ser possuídas, pela ilusão de alguma maneira serem reconhecidas como pessoas de fato a vida foi cruel; não com ela , que apesar de sua desventura teve uma família que a protegesse, com estas jovens que não tendo suas famílias nenhum prestigio ou cargo no reino eram tratadas, após serem por algum tempo como um brinquedo destes senhores, apenas como animais, para trabalhos e outros serviços muita vezes forçados e depois se tivessem sorte poderiam ter uma vida de servas em estabelecimentos religiosos, comerciais; ou se fossem belas e saudáveis ainda, lhes caberia servir aos mesmos senhores em algum palácio de cortesãs.Como era estranho, agora que partilharia sua vida com um homem tão confiável e bom e, sequer contar-lhe realmente, tudo que fora vivido e sabido em sua vida.

Ela via em seus olhos respeito e interesse, mas seria seguro para ambos confiar estes segredos, sem querer lembrou-se de uma frase que viera a sua mente há algum tempo, segredos são só segredos, melhor deixa-los lá.

















quinta-feira, 9 de junho de 2011

Repostagem...

Poesia de amor
Não passo tanto tempo assim sem escrever, falar de mim ,coisas acontecem e eu aqui deixando passar...

Não posso tanto tempo assim, sem pensar sobre tudo, mas quero ficar assim e deixar passar, sobretudo...

Cada um tem tempo, acerto o tempo da musica, o ritimo, a marcação que não deixa, o som desandar...

Musicas eu amo muito , musicos, sei não, as vezes me engano com o quanto os amo...

Fico, de apenas mais uma de amor e não amo...

Deixo-me desinteressar, as vezes espero o que não vem por que eu não fui buscar, sei ou não...

Quero escrever, ver, sentir, tocar e, gemer de amar...

Cantar de dor ou tremer de prazer, enfim estar conciente
e, morrer
de tanto viver...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vidas I, II, III, IV, V

 I.De borboletas e cavalos

Um mercado em uma cidade estado ao norte de onde hoje se conhece por Itália , era Ano do Senhor de 1320 .

Por sorte ocorreram as chuvas no verão e assim o ar estava razoavelmente perfumado ou mais claramente dizendo limpo...
A  menina estava descobrindo diariamente, com seus avós coisas que o porto envolvia, alem do Mercado, onde os produtos de seu pai eram recebidos e comercializados  com festejos.
Naquele dia estava encantada com as cores do verão, com as flores que cresciam sem cuidado próximo as guias onde parara para ver os ambulantes, por todos os lados levavam carroças com os produtos do desembarque. Interessante olhar todos aqueles tecidos diferentes e sentir os odores daquelas ervas que a avó tanto esperava, estava aprendendo com ela a fazer perfumes, muito úteis tendo em vista o calor ,

também usa-las como conservantes de caça e aves,  onde algumas eram colocadas, mesmo com as carnes sendo envelhecidas na gordura , elas se encontravam perfumadas e saborosas, sem o ranço da gordura velha quando assadas ou cozidas.
Uma coisa sempre lhe chamou a atenção no verão, a grande quantidade de borboletas que ficavam nas poças formadas, no chão do porto, será que elas gostavam do sal? Ou apenas se refrescavam? Interessante bicho, este que fica por tanto tempo numa mortalha e ao contrario de um corpo sem vida, ao rasgar o seu “tumulo” liberta-se para o infinito com todas as cores possíveis aos olhos verem.
E foi neste momento que uma revoada delas a assustou, o som a seguir foi apavorante, muito provavelmente alguns cavalos seguiam sem arreios e,  saíram em disparada pela rua estreita.
Sem saber para onde ir, já que havia se afastado da ama e da avó a pequena Ania foi se esconder próximo a uma carroça, sem perceber que o tropel assustou a mula e...
O acidente ocorreu. Uma menina de nove anos que sofre  o pisoteio de um cavalo sobre suas pernas, por assim dizer, já é algo triste, mas quando a seguir percebe-se que as mesmas estão deslocadas chega-se a pensar que não há oportunidade que a vida retorne, mas...
Uma avó descendente dos fenícios que aprendeu de seus ancestrais tratamentos utilizados por médicos gregos e uma serva vinda do oriente com o marido, o ajudante de viagem do  velho senhor mercador, fizeram a diferença entre viver e morrer para a menina da família D´Antonieto.





II.De crescer entre perfumes

E sabores...

A pequena Aniella assim que se viu capaz de olhar ao redor e reconhecer-se viva percebeu o tamanho da perda para o seu querido pai.
Muito jovem, mas muito inteligente sabia que tendo perdido a mãe e não possuindo irmãos era a ela a responsável pela continuidade da família e muito em breve, como era o costume, cerca de mais três ou quatro anos ela seria consorciada a um mercador ou filho de um mercador. Assim os barcos, as peças de animais e servos seriam o seu dote, a continuidade de uma vida dedicada ao mar, às conquistas e ao comercio, que seu pai e avô haviam conquistado desde que os senhores feudais, os Doges os agraciaram com o direito de serem os representantes da Cidade no comercio do além reino.

Por isso a tristeza, ouvir dos médicos do Governante local, gentilmente cedidos ao seu pai, que ela sua única filha estava perdida, que seria certo mesmo somente a vida religiosa, isto se ainda sobrevivesse às febres que esta passando, ou mesmo se nada estivesse apodrecido dentro de si, já que o impacto fora realmente muito forte, como era estranho falarem dela mesma como se não estivesse ali.

A velha senhora, a avó, diante do desencanto do genro ofereceu-se para afastar a criança de toda esta tristeza e dar a ela, atenção nos momentos que poderiam ser os derradeiros.

Juntamente com Horiab, sua fiel serva, que fora ama de sua filha e que o marido auxiliava ha muito os senhores nos segredos do mar das Índias, ambas, empenharam se em criar um ambiente perfumado por incenso, misturando os religiosos e, aquelas ervas secretas muito já utilizadas como temperos e conservantes...

E, muito cuidadosamente prepararam uma bebida forte o suficiente para que Ania, realmente nada sentisse ao deixar o seu corpo a não ser o sono provocado pelo meimendro e, a frescura da menta daria a bebida um sabor mais suave para ser sorvido sem recusas pela criança...

Não foi simples, mas tudo estava feito...

Que sonho estranho a criança pensou, uma dor muito grande em seu lado direito, a impedia de mover-se, mas sentia-se tão livre, observando de perto aquelas formas como borboletas com asas, lindas por sinal. Uma delas veio sorrindo em sua direção e, por um instante ela sentiu um perfume conhecido, mas não se lembrava exatamente de onde.

Devem ser a rosas de minha mãe, que sob o vento forte perfumavam o quarto em dias de ventania ou depois de algumas chuvas leves.

Mas não conhecia aquele quarto, ou melhor, um balcão sobre um lago muito claro parecendo um espelho do céu, Assim, por um tempo sentindo o perfume e observando as formas; ela sentiu o peso aos poucos ir passando, a dor sendo aliviada e mais confortável, pode seguir atrás de uma das formas que a convidou a um passeio.

Com o cuidado de não se distanciar muito do lugar ela seguiu aquela moça “borboleta”.

Foram até ao jardim junto ao lago estava frio, mas de um frio que só arrepiava; como brisa fresca da manha, pode ver outras crianças, que brincavam junto de outras figuras aladas.

Ao se sentir capaz de falar então perguntou onde seria aquele lugar, mas não dizendo nada, estranhou receber uma resposta tão rápida.

Querida criança, não se preocupe com nada que aconteça neste momento, isto é apenas um passo novo na sua caminhada, muitos foram dados em um espaço muito pequeno de tempo, mas agora não será possível explicar-te a este respeito. Acompanho seu caminho sua forma de aprender com as suas guardiãs e tenho a grata certeza que muito você fará para aliviar dores como as que você mesma agora sente e outras, que não será preciso passar para se condoer.

Seja simples querida Aniella, não se revolte com as escolhas que a vida lhe fizer, ao contrario faça a felicidade daqueles que se achegarem a ti e algum dia poderemos comemorar novamente num abraço de mãe e filha todo o amor que nos uniu neste momento...

Ao acordar, estranharão o acontecido, mas você não se preocupe; seja dócil que, em breve, muitas portas se abrirão, Que os Mestres de Amor cuidem e Ti e o Nosso Pai possa abençoar seu caminho, para o futuro.

As borboletas e a alegria deste encontro serão a sua lembrança, o mais será apenas um sonho sobre o efeito de um sonífero muito forte...



III.Uma nova habilidade

Ao acordar, foi espantosa a reação de todos ao redor do leito da menina, porque não se esperava muito tempo mais de vida, já que havia alguns minutos que a mesma, não estava mais respirando ou tendo qualquer reação em seu corpinho tão frágil e machucado.

Mas as mulheres sabiam que algo se passara naquele momento, o perfume das rosas de Cecília mãe de Ania se fez muito forte por todo o tempo no ar, porém segredos são segredos, impressões femininas, é sempre mais seguro não demonstrar.

Loucas não possuem muito credito, mas bruxas; bem as bruxas, são sempre malvistas.

Assim, ao se ajoelharem para agradecer a Deus o suspiro de vida que novamente preenchia o corpo da criança, ambas, avó e serva se olharam e sentiram a presença ali de alguém muito querida, em pensamento e perfume.

Os meses seguintes foram de muita dor, todos se interessaram pelo acontecido, em especial , os doutores do Doge, os mesmos que lhe vaticinaram a morte, com a estranha recuperação; ela tornou-se uma espécie de brinquedo destes senhores, todos de pouquíssimas palavras.

O pai, nem tinha tempo para si, por que se preocupar com alguém que no momento apenas o fazia estreitar suas relações com a classe dos governantes locais.

Melhor que a vissem, assim, muito teria a falar com o Doge quando este o convidasse para uma próxima entrevista no palácio.

Enquanto isto...

Aniella foi se distanciando cada vez mais do medo que sentia por aqueles senhores de roupas estranhas e tantas perguntas, enquanto as respondia, apenas observava olhares que em muitos momentos , ficavam paralisados.

Perguntas sem cuidado a respeito do que sentia ela quando tocada, acordada ou dormindo, se podia sentir-lhes as vontades ou apenas a pele, enfim coisas estranhas, mas que ela respondia delicadamente sem, no entanto, permitir que eles a intimidassem ou obrigassem a situações que dentro de si considerava, inadequadas e, eles ficavam cada dia mais encantados com aquela criança.
Enquanto isto os sonhos se repetiam sempre; com as pessoas aladas, já conhecidas e outras mais austeras ou elevadas, as quais não lhe eram possíveis perceber além da luminosidade, que os envolvia , em cada encontro, recebia as mais concisas respostas para tudo que estranhamente lhe seria perguntado nos dias que seguiam a cada sonho...


Ao constatarem o retorno da saúde da menina, apesar de uma duvida no ar, se com as pernas um tanto deformadas seria possível a ela ser a continuadora da linhagem, muitas mulheres morriam ao dar a luz ou mesmo antes, deixando muitos homens sem descendentes, sendo saudáveis e perfeitas, o que poderia ser de uma que teve pernas e órgãos internos deformados por algo tão violento. Enfim os doutores se foram.

Pobre senhor D´Antonieto, fez-se sabido ou melhor, combinado que haveria um consorcio sim, não com um jovem, mas com algum comerciante que mais velho já não precisaria de filhos para continuar sua linhagem, mas de uma esposa para lhe cuidar durante as voltas a terra firme depois de tempos solitários no mar. E tudo se decidiu por si...




IV.Uma semente se transforma em flor...

Por cerca de seis anos Aniella esteve junto da avó e Horiab apenas, a senhora Catharina, muito respeitada entre as pessoas de Genova tomou para si a educação da menina em artes femininas,como bordar e tecer, não apenas ; ao ensinar os sabores da cozinha pode ensinar o que aprendeu de seu pai, pois antes ele fora um viajante pelo oriente e, destas viagens pode entrar em contato com civilizações, que acreditavam em almas diferentes, e agora sequem poderiam dizer , o clero...

Ah, Horiab muito zelosa não demonstrava longe das amas seus conhecimentos de ervas, estrelas e números mas, nos momentos de companhia , onde por anos seguidos os homens viajaram e elas ficaram apenas guardadas por valetes e servos, os segredos puderam ser compartilhados.
Assim nestes anos se compôs uma nova musica na vida da agora jovem signorina

Donna Aniella D´Antonieto.

Por causa das febres que durante anos atingiram as populações nas cidades, para se protegerem, ficaram enclausuradas em seu pequeno palácio, mas quando podiam se empenhavam, com bastante cuidado, sem se deixarem perceber; e colocavam suprimentos em pequenos barcos para que pessoas que fugiam das pestes e pragas ao encontrarem tais naves em canais da cidade pudessem se alimentar e seguir ainda vivos apesar do estigma de serem andarilhos no reino.

Alguns conseguiam se aproveitar do ato, mas em geral apesar da boa vontade; a atitude alimentava também os responsáveis pela tão assustadora doença; a peste.


V.Crescer entre mudanças...
Os novos tempos chegaram fazendo que as mulheres se tornassem muito mais cuidadosas entre si, seus conhecimentos agora também compartilhados pela jovem estavam entre tudo que as novas regras religiosas e políticas queriam evitar.

Mulheres com conhecimentos de arte e medicamentos tão profundos quanto os médicos, ou até mais era liberdade que apenas em algumas cidades podiam usufruir, tanto tempo sem seus maridos, ou pais, muitas decisões teriam que ser resolvidas por elas mesmas.

E neste caso especial, uma serva tratada como igual muitas vezes se fazendo de mestra em artes, instrumentos, danças e mistérios que apenas nascidos no oriente que cresceram em caravanas poderiam conhecer.

Horiab conhecia de astronomia, medicamentos, venenos coisas que aprendeu nas caravanas com seus familiares antes de serem feito reféns e em seguida deixados em poder dos novos conquistadores do Oriente , os Cruzados.

Mas os senhores desta família não se importavam em transgredir regras ditadas por aqueles que sequer se aproximariam dos perigos que eles corriam desde que pudessem conquistar respeito e tolerância para seus negócios, sendo assim o casal foi considerado como protegidos, por esta família mesmo que com a apresentação disfarçada de servidão.

E, foi deste encontro de culturas que era educada a jovem Ania.

A generosidade e gentileza eram características de todas, por isso o cuidado com os fugitivos da peste, importar-se em alimentá-los e ajuda-los a encontrarem lugares secos e limpos para pernoitarem na cidade sem serem capturados e enviados à prisão, onde certamente, todos se encontrariam com a Febre tão maligna. Não era justo para aqueles corações, saber que não se fazia distinção entre crianças e velhos saudáveis ou não, se fossem encontrados todos iam para as prisões e certamente para a morte na podridão.

Certas noites quando a lua não era tão brilhante após verem o por do sol, quadro comum nas famílias de mercadores que encontram seus entes queridos, no mar durante o crepúsculo, em lembranças e desejos de uma viajem feliz, segura e um retorno breve. Elas despidas de roupas mais rebuscadas, colocavam-se a caminho das portas da cidade e por lugares conhecidos só pelos antigos saiam e encontravam estes coitados, os levando para pequenos casebres nos campos próximos, limpos e preparados por elas e seus servos durante as horas do dia.

Não eram interrompidas, mas certamente sem que percebessem eram observadas e protegidas pelos valetes encarregados de seu zelo pelos senhores locais.

Não faziam mal em ajudar, desde que não os colocassem dentro da cidade. E estando na terras da família o direito era delas. Que estas mulheres fossem loucas, pobres de seus maridos, pensavam os responsáveis por mante-las seguras e retornarem sem que algum malfeitor as atacasse; embora houvessem muitos.












Uma estória que vai e volta... agora a original: Vidas!

Vidas...

Aqui estou, depois de uma conversa eletrônica, envolvente, em lembranças e idéias, escrevendo sobre algumas estórias de vidas.
Não tenho a menor ideia, realmente quem estas pessoas foram,  algumas vezes fantasiei que eu fosse a mocinha, hoje não me importa,mas as suas memórias chegaram até mim neste meio abstrato e, subjetivo que são os sonhos e divagações que tive por muitos anos.
Algumas serão um tanto difíceis de lembrar outras estão aqui, em minha pele, nos meus olhos ,quando os  fecho e abro os da memória.
Que seja então...
As minhas estórias de Vidas...


Esclarecendo:
Esta estória tem alguns anos que foi escrita, estive há algum tempo tentando reescreve-la mas não conseguia por nada... Foi bastante estranho ter as cenas na mente e não saber transcreve-las. Mas a gentileza da pessoa que eu eu estive conversando antes de iniciar estes escritos, um amigo agora um tanto distante, que por muito tempo participou de algumas "viagens" de meus sentidos para alem das imagens visiveis em meu cotidiano...
Lembranças minhas ou de outros que se encontram pelos planos paralelos...Imaginação?Tomem como quiserem e aproveitem critiquem sugiram dados históricos...
Esta é uma estória livre, é minha pois a escrevi mas está aberta a informações que a tornem mais real, ou mais inserida em um contexto de historia...Afinal é disto que vivem os romances, de estórias escritas entre momentos que a História escreve...

Elis Regina - O mestre-sala dos mares 1974

Talvez seja este o primeiro samba que eu me lembro de cantar...
Lembro mais com o João Bosco, meu pai gostava deles o samba e o cantor. Meu pai gosta de samba e mesmo com muitas brigas, eu amo rock, foi a sua insistencia que criou este lado ecletico que hoje me agrada tanto...
Elis uma rainha canta a força de um homem alem de seu tempo, que a vida fez a maldade de quietá-lo mas que sua atitude naquele momento histórico, serve de bandeira de coragem para nós brasileiros...
Se ele pensasse em sua condição de negro, inferior na escala social, ignorante, certamente não teria se revoltado...
Se ela pensasse no eram as mulheres naqueles anos 70 não teriamos conhecido esta voz que arrepia, cantando esta música que encoraja , incomoda, não teria levantado bandeiras em tempos escuros, cantando liberdade.
Um sentimento de grandeza, que não somos únicos em nossas necessidades , que outros estão conosco em nossas manifestações, como a velha canção..."Caminhando e cantando..."
Assim, simples assim, acredito que aos pouco uma nova geração vai se colocar, perceber que algo ficou fora do direito de todos, que alguns continuam com as chibatas da injustiça tomando o rumo de nossos navios, ordenando as nossas velas...
Mas há a esperança...
Sempre há!
Que sejam muitos mestres salas dos mares, que superem as suas dores e nos apontem a coragem Um novo rumo para nossa embarcação!

domingo, 5 de junho de 2011

O que a gente faz...

Eu gosto de pensar que faço a diferença, de alguma maneira neste imenso mar de gente...
Mesmo agora que voluntáriamente estou mais recolhida, encontrando valores que eu deixei perderem-se e em outro caso deixando pra lá aquilo que eu não necessito obrigatóriamente levar adiante, ainda assim eu estou entre gente.
Sempre alguem le o que escrevo comenta minha opinião deixa um recado neste mundo virtual, é claro que minha vida não deixou de existir no ambiente antigo dos encontros mundanos...
Considero boas companhias gente que discute e ri comigo e, que embora me deixe um tanto irritada com observações pessoais, tem me feito mudar alguns milimitros da minha personalidade tão flexivel e talvez por isso mesmo tão dificil de se manter onde poderia ficar.
Minhas raizes assim como as sementes são capazes de seguir de acordo com um vento mais forte, sem contudo se destruirem, minha essencia é forte mas meu conjunto se envolve com o meio e sofre por isso, sente demasiado.
Eu desejo amor, e revelo o que sinto bem mais que deveria, alegro-me com muito pouco mas não me contento se não ofereço o mais que eu posso dar, sinto que parece um roga por algo.
Não quero pedir, ao contrário prefiro oferecer, embora algumas vezes eu mesma recuse o prato muito especial, por ja estar satisfeita de tantos aperitivos lugares comuns, que costumam vir antes daquilo que leva tempo...Eu também tenho pressa... Eu também me arrisco a comer cru e mal...
Alguma lembrança de algo que nunca aconteceu me toma cada vez que eu me lembro ...
Queria entender a forç deste sentir, esta união que existe em algum espaço tempo ,mas que enquanto estivemos perto, poucas vezes fomos próximos...
Então quando sinto que posso olhar com olhos amorosos, que meu carinho sincero não é armadilha, nem pra para mim; chego a confiar que algo acontece aos que encontram a si mesmos, ou o que em nós estava distante e, embora muitas coisas ainda estejam perdidas...
Conforta-me saber que existe sim o amor sincero, existe em mim ainda muito sentir de ser simplesmente emotivo de desejar o melhor de querer participar e dividri momentos felizes...
Existe tanto que entendo que posso doar sem medir ,mas sem cobrar e sentir a boa vibe seguindo por quem deve seguir...
A gente aprende das pessoas tantas coisas...
Aprende a assitir a torcer a deixar envolver-se a seguiri sem prender sem fugir, sem perder ou ganhar e ainda,assim ter certeza que está atuando no palco da vida com este parceiro em uma dança livre que tem um nome que nós muitas vezes fazemos dele uma prisão mas ao olharmos mais profundamente....
A gente entende que esta liberdade se chama Amor!