Ontem antes de dormir senti que um vento frio arrepiava por dentro, como pode, sendo que o calor saarico desta cidade quase mata, os homens assados...Senti meu interior gelar e a imagem fez presente em meu olhar.
Faz alguns dias que deixo de lado este deja vú, não estou interessada em estórias que não compreendo, que me perco ao contá-la e ainda nem sei se os lugares existem , parece coisa de "zombeteiro residente".
Pois bem, eu me disse que iria pro São Google e colocaria o nome que ficava perturbando meu ouvidos, se houvesse algo, ah eu pensaria no que fazer...
Sendo assim estou tendo que pensar...
Sabe aqueles lugares que ficam entre o mar e uma encosta ingreme, que são totalmente verdes e nos remetem até a Irlanda , Escócia, Inglaterra, assim que o nome Roslin apareceu em outras versões, inclusive, minha coluna gelou, abriu-se a imagem que estava em meu pensamento e pior a moça coberta por um xale que me arrepia ao sentir um vento forte e gelado vindo do mar...
Tenho um amigo que dirá de imagens de inconsciente, do coletivo, outros dirão obssessão, outros inspiração, outros e pode ser que eu me encaixe exatamente neste grupo...Alguma de minha viagens pelas imagens e vidas que eu não sei de quem são mas que me afetam tremendamente a vida. Ou traduzindo coisa de doido mesmo.
E falando em loucura, eu sempre me pergunto o quanto ela é limitante ou perniciosa, tenho uma relação antiga e muito feliz com o hospital psiquiatrico, anos como voluntária fazendo cestaria, ouvindo histórias de homens que ora me faziam sentir como filha e noutras, a espinha ficava gelada pelo olhar apaixonado que deitavam sobre minha discreta pessoa.
Fico pensando se conseguiria ser a pessoa que sou hoje se não tivesse ouvido as histórias de tantos , sentido seus abraços, ganhado seus presentes, os presenteado COM MINHA CONFIANÇA nas suas ações, no sentir seus momentos tristes ou felizes.
Hoje, embora ainda acompanhe alguns, e não concorde com a forma que as internações são processadas não me esquivo do prazer de ve-los, de abraçar os moradores, estes sem sombra de duvida ,meus amigos...Então aos sabados gasto um pouco de meu tempo, sendo sincera ,nem tão precioso e vou às 7:30 da manha orar por eles, e por mim pois o retorno é imediato, tão forte é a energia que ampara o local...
Não quero direcionar esta pequena fala de meu coração para minha orientação religiosa, quero dizer da energia que se expande quando podemos encontrar nas dificuldades de entendimento do homem pelo homem a preciosodade da poesia, a graça da veia artisitica, do interpretar papeis de cada um, longe dos muros de lá que se torna muito grande quando visto dentro de algumas salas com poucos homens orando, cantando, e também por que são homens ,discutindo...
Belíssimo livro a Lua vem da Ásia, reconheci no homem tantos homens que já parei para ouvir suas histórias, que ja fiz papel de filha, que devo ter povoado suas noites como amante...
Como sempre começo falando de algo e termino em outro foco, penso que a vida não comece em algo e tenha que terminar em outra coisa, as ideias, sempre elas se encadeiam, vem de encontros inesperados criam sentidos para coisas que não percebemos, nos colocam contra nossas paredes, com nossos fuzis mirando nosso erros e defeitos, culpando nossa falsa modestia e o nosso confessor amoroso, nosso próprio eu, passa delicadamente para nos perdoar os deslizes as fraquesas, a falta de perceber os sonhos e os encontros e nossas fugas do que somos e percebemos nos que afinam os nosso instrumentos, nos deixam melhores, mas por que atritam nosso conforto, preferimos não encontrar, ou fugir , deixar pra lá...Sei lá...
Terminando...
Vou deixar a moça rondar minha vontade e muito breve nova estória virá...Afinal cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é e, a loucura de cada um é seu encontro com o eu pessoal, a porta aberta das prisões do cotidiano, onde somos todos iguais, ou não...Quem sabe?
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