XI.Alguns sentimentos confusos...
Era doloroso para Antonio saber que em breve selaria o futuro de uma jovem, obrigações interesses e tudo mais que seu superior familiar impusera e o fizera acatar, juntamente com Luigi, mas...
Desde o encontro no balcão ele pensava muito a respeito da querida jovem. Tão inteligente a ponto de perceber-lhe a tristeza antes mesmo de serem apresentados e a força no olhar para com os servos, sempre facilitando seus trabalhos, certamente lembrava-lhe muito, Amália, sua primeira esposa, ele a tinha como quando se fora, eterna antes dos acontecimentos presentes.
Sentiu-se atraído mesmo pela jovem, apesar da vergonha por ser ela a escolhida para seu filho, nunca foi importante saberse fosse capaz de engravidar,agora ocorria o esperado, mas com ele na outra ponta da união familiar.
Mas “coisas” atormentavam seus pensamentos, não seriam importantes em outros tempos, mas agora com Roma influenciando tão de perto a Cidade e Seu governante...
Muitos de seus servos sabiam de situações enfrentadas pelas senhoras de Antonieto nos anos passados, alimentando o populacho que fugia da peste, salvando moças de serem tratadas como animais ou pior por gestações indesejadas, e produzindo óleos e perfumes, estes com intenções um tanto duvidosas,dizia-se que homens se tornavam presas de cortesãs quando elas usavam tais essências de Dona Catharina. Seria Ania como a avó?
Até que ponto a influencia oriental, da parte de sua ama a tornou libertária demais para uma donzela a ser deposada nestes tempos de heresias.
A protegeria no que fosse preciso, mas ela deveria aprender agora a respeitar a Casa a qual pertenceria; direitos às mulheres, são coisas de senhores que não se importam de serem chamados de tolos e ele jamais deixou seu nome ser levado ao mercado em discussões frívolas ou que não respeitassem a sua moral.
Não queria se preocupar, tudo deveria ser apenas a angustia de não saber o que lhe aconteceria após a união com alguém jovem e tão desejável ao seu interesse masculino que chegava a se culpar por não estar de todo desconfortável com o matrimonio.
Durante os anos de solidão conheceu uma serie de cortesãs, mas apesar de reconhecer sua cultura e capacidade em fazer-lhe menos solitário tinha por elas um imenso desprezo, é claro que como uma pessoa ligada á casa dos governantes não exporia esta condição, mas estava aliviado por não necessitar mais destes serviços.
Durante o tempo em que esteve negociando no oriente sentiu interesse muito forte pela forma que os senhores cuidavam de seus haréns, sempre mantendo regras a serem respeitadas com caráter divino.
E certamente faziam as mulheres felizes, pois eram tranqüilas e muito cuidadosas de suas obrigações sociais e familiares, mas se faziam respeitar, pelo isolamento que seus mantos e véus impunham aos olhares curiosos.
Outros modos outras culturas, mas não fora sempre assim, disseram lhe que em tempos idos o poder de sacerdotisas rivalizava com os magistrados e chefes militares. Mas o tempo certamente mostrou quem deveria realmente mandar em uma sociedade e estas agora eram feitas de exemplo de heresias também entre aqueles, considerados bárbaros.
XII.O casamento...
Finalmente chegou o dia mais especial, aquele que selaria o compromisso de vida definitivamente.
No palácio dos doges oferecido em salão toda a população, mesmo servos se acotovelavam para observar , de longe a comunhão de ambos, sobre as vistas da Igreja e do governante local e seus familiares nobres..
Finda a cerimônia estavam todos exaustos, o calor era horrível mesmo naquela época em geral tão fresca.
Aniella achou que ia desfalecer, não prestou atenção em nada, somente em um medo estranho e secreto tomava conta de si.
Estaria sem a proteção que sentiu em todos os dia de sua vida, em casa de sr. de Savona não teria mais Horiab, que não deixaram entrar na nave e a avó,agora uma frágil senhora ,mas forte por dentro ,não se deixou abater nem mesmo quando fora convidada a se retirar para dar lugar aos magistrados que estavam entre os convidados do Duque afinal daí sairia o novo herdeiro da Casa governante local...
Ela certamente preferiu com a serva e comentar livremente a respeito destes senhores “tão respeitosos”...
Como desejava não estar lá naquele momento, ser apenas alguém do povo e ser livre para viver com seu escolhido sem tantas regras e obrigações.
Ali estava seu dote, agora, parecia que valera muito bem foram mais de trinta navios e muitos servos e ainda fora cedida com uma faixa de terra próximo a uma fortaleza cruzada em (Estambul?? ),bom lugar para o comercio livre que seu agora marido praticava para os mandatários locais.
Grande valor, segundo seu pai, já que nem se sabia ao certo se poderia ser mesmo mãe algum dia e, deveria sê-lo em breve, pelos costumes.
Hoje, alem dos valores monetários, a Igreja garantia o repudio em caso de não ser agradável ao seu senhor em matrimonio, mas isto ao menos não aconteceria, certamente eram ambos muito interessados um pelo outro.
Mesmo não falando de assuntos considerados proibidos às mulheres, seus conhecimentos puderam muito naturalmente conquistar o triste sr. Antonio e agora não tão triste, a acompanhava por horas junto ao cais imaginando onde estariam seus entes queridos .
Era bastante agradável cada momento, ambos em vários momentos de suas vidas sentiram ter muito em comum...
Um profundo interesse pôr aqueles seres alados tão coloridos e que segundo algumas lendas viviam aos pares, as borboletas.
E mais estranho, um motivo de cumplicidade extrema, ambos sonhavam em falar com belos seres alados, nos momentos mais críticos de suas vidas.
O mesmo se passava com o Senhor Antonio de Savona,não sabia ao certo se o calor ou mesmo por tanto cerimonial,aquele homem acostumado a lugares solitários passou a sentir um desconforto imenso por tantos deveres e direitos serem definidos tão publicamente.Era o comum ele o sabia ,mas antes em sua primeira união era por amar uma prima que conhecia desde a infância,fora sua irmã de leite e mesmo assim fora sua prometida . Ah porque não estava ao seu lado e de seu filho, morto?,Era onde deveria estar ,morto! Quanto constrangimento nesta “compra”, era tudo uma relação comercial em suas vidas.
Ao menos seria um futuro com alguém que não se sentiria preterida quando lhe falava de seus amores passados ou se incomodava com estórias até indecentes, sobre os povos que conhecia em suas viagens.
Estava decidido, já que dispuseram sobre suas vidas sem consulta ele esperava sinceramente que não tivessem filhos e de sua parte colaboraria para isto...
Não haveria quebra de contrato apenas um homem com muitos compromissos em outras terras e uma jovem dedicada a sua vida em família, pai e avó bastante velhos lhe denotariam cuidado suficiente para não se sentir desmerecida por ele seu marido, e depois não convinha discutir estas decisões com a jovem, seria duro com ela se a utilizasse apenas para procriar, não eram animais, não queria vê-la correndo risco de morrer e de perder novamente um filho seu.
Estava decidido, não teriam nada entre si. Ele bem poderia suportar tanto tempo assim e depois, sempre haveria as cortesãs. Estava tratado que poderia se utilizar delas, se quisesse, como clausula no imponente contrato.
Haveriam momentos que se sentiria tentado a realizar-se familiarmente com esta tão interessante jovem, deixar vida tão infame de utilizar mulheres perdidas para a vida e sem moral, mas...
Seria justo ele macular a pureza com suas imperfeições?
Pronto assinara o ultimo documento. Estava feito...
XIII.Enquanto havia a festa...
Era um costume e deveria ser seguido, enquanto a festa se estendesse eles deveriam fazer cumprir o motivo de toda a cerimônia...
Ania esperava paciente o instante de se fazer pertencer ao esposo, eram as regras e dentro de si sentia uma mistura de medo e curiosidade.
Estivera nestes dias passados, sendo examinada por médicos e freiras e todos atestaram o que sua avó já dissera, nada de errado havia que a impedisse de ser a esposa capaz de cumprir os rituais de conjunção matrimonial e ainda melhor, mantivera-se integra apesar de todo o infortúnio da infância.
Na voz corrente estava casta como viera ao mundo e, portanto seria uma perfeita esposa para um senhor tão importante e com tão necessária finalidade social.
Em seu coração nada importava.
Ouvira de dona Catharina muitas orientações, a respeito de ser uma esposa, desejava de todo o coração corresponder a tais ensinamentos e ser tão feliz quanto o foram as mulheres de sua família, em suas uniões.
Sua avó vivera por muitos anos junto de seu avo, com respeito e fortes laços de companheirismo, se respeitavam e ambos compreendiam os motivos de cada um de seus compromissos sociais. Ele em suas viagens e ela cuidando de todas a atividades do palácio dos Antonietto,pois eram também aparentados de seu genro.
O costume de casamento entre famílias era comum, só estava mudando recentemente com as novas ordens de Roma.
Continuando seus pensamentos, desejava Ania ser para Antonio como o foram sua mãe e avó para seus esposos, um porto seguro onde ele pudesse se confiar, nas dificuldades e compartilhar as alegrias das vitórias e dos retornos.
O frio que tomava as suas mãos quase a fizera desmaiar e o calor de todo o quarto naquela tarde era muito forte. Só o perfume das rosas, lá fora a deixava tranqüila, pois era tão familiar e dizia a seu coração que estaria protegida pelas formas aladas que sempre a acompanharam nos momentos complicados de sua vida. Era este o perfume que deixavam quando com ela se comunicavam.
Antonio acabou de ordenar aos criados toda a atenção possível aos convidados, mas deixou claro que quebrariam o costume; não se apresentariam. Como se precisassem aprovação dos convidados para a união, Tudo estava feito, de agora em diante ele seguiria as suas regras, não devia explicações a ninguém e no mais, seus hábitos discretos justificavam a sua atitude.
E com esta intenção ele adentrou a seu quarto agora compartilhado pela sua jovem senhora.
Ele sentiu também o perfume de rosas, as mesmas que sentia quando sonhava com as formas aladas, e sentiu mais ainda a saudade de sua Amália.
Foi naquele quarto que viveram momentos de extremo carinho e compreensão e a grande tristeza de perdê-la ao nascer de seu filho.
Mas agora, uma jovem, sua esposa estava ali e ele lhe devia as explicações necessária para que sua vida futura fosse tranqüila. Seria difícil tratar tais assuntos, mas não se dobraria àquelas imposições, estava decidido.
XIV.Entre amigos alados e perfumes...
O momento de iniciar uma nova vida tão esperado pelos amigos do plano superior estava em andamento.
Os fatos que levaram ao encontro foram de certa maneira trágicos, mas ambos precisavam ser agora pessoas mais frágeis perante os sentimentos, para que assim não se fazerem novamente egoístas e erroneamente confiantes apenas de seus valores.
Os amigos com os quais se encontraram por todos estes anos aguardavam tão ansiosamente como pais aguardam seus filhos ao nascerem.
Seria de fato a oportunidade de renascimnento para Hamnerid e Hassar , sem traições, disputas por poder enfim e ,principalmente sem que eles se desfizessem de forma tão agressiva de suas sementes ou seja dos filhos que a providencia iria lhes oferecer.
Coordenados por Cecilia estavam Amalia e Antero orando pela paz no coração de ambos, pois os espíritos superiores lhes informaram que os sentimentos de ambos estavam muito confusos quanto à união de corpos a se realizar.
E a partir do momento que ambos estivessem a sós, prontos para se encontrarem como um casal não lhes seria possível auxilia-los. Estariam nas vias de seu livre arbítrio.
Foram chamados a se reunirem, era hora de se retirarem e aguardarem cada um a sua vez a oportunidade de serem envolvidos pelos braços paternos de tão amados companheiros.
XV.Uma união não consumada...
Ao olhar profundamente nos olhos de Ania, Antonio quase não pode suportar o desejo que brotava em seu corpo, seu peito parecia explodir ao vê-la tão frágil, esperando por uma palavra sua, era a jovem atraente para ele, a sua senhora, tivera com ela momentos de extrema ternura, encontro de sentimentos que os fizeram identificarem-se um com o outro. Mas seria justo abusar de tal inocência?Seria justo deitar-se com ela apenas para que fosse a mãe de um herdeiro na família, para que os mantivesse no poder...
Não a decisão estava tomada, não se deitariam, era definitivo. Com sorte para a senhora Aniella ele poderia morrer em alguma viagem próxima e então ela contrairia núpcias prováveis com alguém mais jovem que a pudesse fazer feliz.
Quanto engano em um coração que não soube perdoar um revés sofrido, pela vida e não soube ver a benção de uma nova vida, em família que lhe fora oferecida pela providencia. É certo que fora de forma impositiva, mas se ao menos ele tivesse sido humilde em aceitar as ordens de seus superiores na hierarquia familiar muita dor haveria de lhe ser poupada, mas agora novos eventos iriam se mostrar, mudando novamente os destinos regeneradores de Aniella e Antonio, para os já tão sofridos espíritos de Hamnerid e Hassar.
Com a consciência do que haviam feito para se recuperar, ambos escolheram aceitar, serem mais cordatos em suas escolhas e trabalharem em conjunto para o auxilio a excluídos, nos tempos seguintes.
Seriam corajosos, parceiros e acima de tudo se colocariam além dos preconceitos, para protegerem inocentes, que como eles em outros tempos foram julgados, e condenados por escolhas, que fizeram, ao tentarem romper com as regras de suas classes sociais.
Mas ambos a sua maneira teriam o desafio do orgulho próprio a vencer...
Os Amigos ao se afastarem oraram para que mesmo que se sentissem ofendidos eles não se deixassem levar por sentimentos obscuros, como o ciúme e a desconfiança,do amor que cada um já dedicava ao outro, pois este sentimento seria sempre a força do resgate a que se propuseram...
Entre medos, duvidas e arrependimentos...
Ela ouvira silenciosamente as palavras que agora o senhor. seu esposo dissera,aos poucos ia sentindo dentro de si muitas coisas estranhas.
Mas era neste momento, como ele dissera apenas a esposa escolhida e agora como sua senhora devia ser discreta e aceitar os seus desejos, pois isto era e sempre seria a obrigação de uma senhora de Savona.Não competia a ela questionar-lhe sobre suas ordens.
No fundo de seu peito entendia que aquele homem sofrera perdas muito grandes em seus sentimentos de amor, mas se perguntava por que ele não a queria, agora podendo recomeçar, deixar o passado para trás e construir com ela uma nova vida em família.
Ela sabia que, os médicos, religiosas e mesmo sua avó, foram seguros em informar ao seu esposo que poderiam ter uma família. Ela mesma, nos últimos meses, se percebeu com sensações mais intensas em seus membros inferiores, junto com uma abençoada melhora no equilíbrio.
Por que este desprezo, ela não entendia...
Porque não poderia argumentar, se até a noite anterior eles tanto conversaram, como iguais e agora estas imposições que a fizeram sentir como as mulheres que a vida toda, ouvira sua avó dizer, que não passavam de escravas em roupas e modos de senhoras. Que eram muito mais felizes as cortesãs que estas mulheres, ”servas “de seus próprios maridos, sem direito sequer à liberdade de dizerem seus pensamentos, aos mesmos.
O que fizera de errado, se perguntou enquanto ouvia, ainda em silencio; pediu muito a presença das formas aladas, mas agora nem o perfume das rosas se fazia presente.
Como seria a sua vida agora que ele acabara de dizer que não desejava serem motivo de comentários e que para isto ela deveria ser uma esposa ocupada nos afazeres de seu palácio e não mais de assuntos do mercado, isto era função dos muitos servos de sua casa e...
No assunto ervas e temperos, este não era seu ramo de comercio; então não precisaria ela produzir formulas como sua avó.
Isto seria para sua própria proteção, pois conviver muito próximo das camadas inferiores da sociedade poderia fazer dela um alvo muito fácil ao falatório geral.
Este tipo de envolvimento com o populacho ele nunca tivera e, portanto desejava que continuasse assim; na sua Casa.
Assim foram dadas a primeiras ordens, cada vez que ela mencionava interferir no discurso ele desviava-lhe o olhar e reiniciava uma nova regra a ser seguida.
Como pudera se enganar?
Antonio sempre lhe pareceu ser compreensivo, com o tempo tivera confiança e compartilhara com ele do auxilio que muitas vezes prestaram aos pobres que fugiam das pestes e também de nobres que os escravizavam além de suas forças, do alimento que davam às mães abandonadas a força de seu destino, muitas vezes, jovens ingênuas que cederam aos desejos de senhores que depois as abandonavam a própria morte.
Com se ele pareceu entender e se enternecer com estas confidencia agora o mesmo homem dizia que tudo isto, lhe era proibido ; alem de dizer que seus corpos não se encontrariam, para que ela pudesse ser feliz quando ele morresse; com outro senhor que seria a ela oferecido, mais jovem e sem dores de perdas do passado.
Ah como ela desejava que ele voltasse atrás destas palavras, o amava tanto que mesmo sendo humilhada neste momento só fazia orar para os seus, e certamente dele também Amigos alados viessem e auxilio de ambos. Não queria que aquelas palavras lhe ferissem o sentimento tão doce que criara por Antonio, mas a dor em seu peito era tanta que aos poucos se sentia com se envelhecesse e não pudesse mais se segurar em suas pernas. Desmaiou...
Antonio só se deu conta de que poderia ter magoado a jovem neste momento, quando a teve em seus braços, pálida, tão frágil que perdeu os sentidos.
Era a primeira vez que a tocava de tão perto, de forma a sentir-lhe muito fracamente o coração bater. Sentiu novamente o desejo por um amor, e também, desejo de homem pelo amor físico, com esta jovem tão dócil e frágil, que fora capaz de entendê-lo desde o primeiro momento que seus a olhos se cruzaram. Pela primeira vez pensou se estaria correto em suas decisões...
Nenhum comentário:
Postar um comentário