XXI.Em tempo de partida, uma grande dor...
Um dia antes da partida Ania amanheceu mais cansada que os dias anteriores e pensou que a tristeza por afastar-se de Antonio estava deixando seu corpo enfraquecido, mas infelizmente não era.
Ao deixar a cama viu o leito manchado com sangue, como ela não percebera, as dores foram ficando tão fortes que só pode gritar pelo esposo que acudiu com presteza, mas ao vê-la em sofrimento também se sentiu infinitamente frágil e triste.
Uma vida que eles não sabiam estava se formando, perdeu-se naquele momento, em suas mentes somente uma pergunta, poderiam novamente, ter um filho.
Muitas mulheres ficavam inúteis quando passavam por tais experiências, seus órgãos secavam e nunca mais podiam engravidar.
Por sorte ele ainda estava em casa e foi com suas próprias mãos que preparou a medicação necessária para aquele momento.
Ela a fizera outras vezes sob vistas de sua avó e agora ensinara ao esposo como faria.
Na cabana da floresta, sozinho, ele pediu novamente aos Céus que pudessem permitir-lhe uma nova oportunidade, na sua volta.
Ao retornar à cidade, agora acompanhado por seus valetes, seguiu para o palácio do Duque.
Informou-lhe do infortúnio ocorrido e de pronto ouviu uma ordem, que desta vez aliviou seu coração, pois era o que viera pedir.
Prepare tudo e envie seus homens de confiança, é também importante que nossa família seja continuada, é uma ordem, que espere o tempo devido e, ao menos deixe uma semente neste ventre que tens como mulher.
Novamente a forma vil de falar, mas nem se incomodou, seria humilde já conseguira muito mais do que buscara. Apenas veio pedir que ele pudesse ficar ao lado de Aniella pelo tempo de sua recuperação.
Mais uma vez Deus ouvira suas preces...
XXII.Momentos para sempre...
Durante cerca de quinze dias foram difíceis momentos sem saber se as dores passariam, mas findo o período de limpeza, ela sabia como soube em outros tempos que sua saúde havia voltado.
Nas conversas pela manha logo após suas orações, ambos sentiam-se envolvidos por lembranças felizes de seus amados familiares, era com se eles os encontrassem em sonhos para abençoar-lhes a união.
Quando não eles se relatavam encontros idênticos com os amados seres alados que agora sabiam os protegiam desde suas infâncias.
Encontrou identidades nos gostos de ambos, de uma estranha maneira, o interesse dele pela cultura egípcia, para ela, o conhecimento fora incutido pelas estórias de Horiab.
Ele que já desejara uma suave “esposa do deserto” pudica e sedutora; ao mesmo tempo descobriu que em Ania vivam as marcas de ensinamentos de uma filha das caravanas.
Quando em seu quarto a sós ela se tornava uma excepcional bailarina com os olhos pintados à moda moura. Que os governantes jamais soubessem, pois isto lhes despertaria sentimentos desprezíveis, estranho pensar isto neste momento imaginou Antonio.
O tão intrigante pensamento talvez tivesse origem na curiosidade que agora tomava os servos “tão leais”
Por medo talvez de serem colocados como colaboradores nas infames prisões da Inquisição estes se comprometeram com o governante de informarem totalmente o que se passava no palácio de seu aparentado o Senhor de Savona.
E, estavam fazendo mesmo antes do senhor partir.
Dois meses se passaram em segurança, as regras agora foram observadas cuidadosamente e realmente se foram. Retera a semente tão esperada em seu órgão, não era seca.
Com alegria pela graça, eles também compartilharam das obrigações da viagem.
Pela ultima vez ela seguiu até o amado porto em total liberdade, estavam juntos e não se importaram em darem as mãos como qualquer aldeão ou servo em dia de festa. Estavam felizes e, não desejavam esconde-la neste momento que por muitos meses seria o ultimo.
Se tudo corresse como o esperado, se os empregados que foram antes tivessem feito o esperado ele voltaria ainda para o nascimento da criança.
O dia estava começando, mas as cores pareciam com as do crepúsculo, a partir de agora de seu balcão veria o mar ao nascer e ao por do sol.
Alegrar-se-ia todos os dias por mais um dia chegar e trouxer seu amado de volta. Foi sua promessa ao abraçarem-se e publicamente beijarem-se á partida.
Antonio ajoelhou-se, um escândalo, e beijando seu ventre, ousadia muito perigosa, disse como para a criança que seu pai o amava e estariam todos os dias encontrando-se em sonhos.
Foram ingênuos, não perceberam a trama que estava se criando no escondido das regras e no poder daquele que ordenou que se cumprisse à gestação deste novo ser.
XXIII.Só entre os poderosos...
Os primeiros meses foram de cuidados muito extremados por parte dos serviçais, sentiu-se protegida, confiou então em seus servos como Antonio pedira.
Quando pode novamente andar e se movimentar sentiu necessidade de seguir com muitos de seus compromissos, desde que se casara nunca mais tivera tempo para cuidar das ervas de sua avó algumas eram raríssimas e temia que se perdessem.
Ate ao palácio de sua família não estava proibida de ir, mesmo porque nele ainda se encontravam parentes e servos que cuidaram dela na infância e estes se alegrariam com a suas visitas.
Estavam na verdade preocupados com uma serie de estórias que surgiram por parte dos servos de Savona e que era sabido já haviam chegado aos ouvidos do Doge de Ângelo.
Fora informada que os servos contaram em detalhes suas noite com o seu esposo como se ela fora uma cortesã, alem de dizerem que suas bruxaria é que fizeram com que o senhor mudasse seu modo de cuidar dos negócios. Já que agora ele repartia seus lucros em partes proporcionais com todos os empregados e não apenas com os servos mais antigos.
Mas o pior foi dizerem que as ervas de sua avó eram de espécies mágicas o que provocou a curiosidade dos “médicos” que as requisitaram para si e a ira da Inquisição que enviara agora um conhecido padre espanhol especialista em venenos para destruir tudo que fosse ofensivo, ou seja, mágico, no falatório geral.
Mas porque, pensou Ania que motivo teriam eles de incriminá-la se ela desde a partida de Antonio em momento algum desfez de qualquer ordem sua, e mais ainda tratava todos com respeito e humanidade como aprendera com sua amada avó.
Deveria haver algo errado. Mas ela mesma poderia averiguar isto.
O Duque era também seu parente não lhe negaria uma entrevista.
Por um momento pareceu sentir sua avó a dizer-lhe que se mantivesse em silencio sempre perante aqueles homens, mas por outro lado aprendera com ela a não temer responder nada a ninguém, saberia o que fazer.
Pediu auxílio aos Amigos quando passou pelo mercado, pelo porto, viu o mar, estava com saudades do perfume muitas vezes sufocante, mas para ela uma benção, pois remontava a toda sua vida.
Ah e é claro as poças continuavam como na sua infância repletas de borboletas de todos os tamanhos das mais diferentes cores.
Pensou consigo; que iria precisar de sua suavidade e desenvoltura neste momento de prova.
Preciso guardar comigo algo de alegre nesta vida para vencer a prepotência e a força brutas.
Não sabia ainda o que aconteceria consigo, mas temeu mais ainda por seu amado Antonio.
Sua presença solicitando audiência do Doge causou estranhamento entre os poderosos que se encontravam no local, o que aquela mulher, em condições que deveria manter-se em casa, quereria do seu governante. Não sabia ela que assuntos sérios deveriam ser tratados por homens e depois, ela sabia que seriam os valetes de seu esposo os responsáveis por suas necessidades e,onde estariam eles.
Pelo laço familiar o senhor de Ângelo a recebeu, já ouvira falar de seu desprezo pelas mulheres de sua família, mas sentiu ao adentrar em seu escritório particular mais que isto. Já vira este olhar entre alguns médicos, quando na infância muitas vezes fora examinada. Sentiu-se atordoada, mas seguiu.
Precisava saber por que destruíram os canteiros de sua avó, eram plantas muito raras, vindas de lugares onde seu pai e avo tinham comercio, mas que custaria muito uma nova expedição apenas para recolher plantas. Fora uma perda financeira, sem falar de como eram valiosas no tratamento dos menos afortunados. Oh, dissera alem do que deveria, pois sentira no sorriso expressado por aquele homem, que insistiu que ficasse á sós, um prazer que já sabia quando observara alguns senhores castigando duramente seus servos.
A primeira coisa que devo informar a senhora dona Aniella de Savona é que jamais deveria vir a este lugar onde os assuntos discutidos são demasiado sérios e proibidos para alguém neste estado. É vergonhoso saber que a mãe de um futuro governante desta cidade se dá caminhar entre as vielas no meio do povo, como uma serva sem o menor respeito à sua classe social e porque não dizer mesmo ao senhor seu esposo que se encontra longe cuidando dos nossos interesses.
Fomos informados, por ele mesmo, que seus servos e valetes de confiança cuidariam de abastecer a casa e servi-lhe nos menores detalhes, acaso isto não esta acontecendo?
Ela não se conteve e inesperadamente interrompeu a fala do duque perguntando se servir a eles, o casal, com lealdade era enviarem relatórios de suas noite no leito de casal, era sagrado o leito e isto, isto era mesmo de parte regia da família, uma afronta que ela relataria ao marido quando voltasse.
Pensou que desmaiaria e procurou uma cadeira para sentar-se, ao que o governante respondeu que tomaria por um insulto gravíssimo ela assentar-se já que ele seu superior em todas as hierarquias, encontrava-se em pé.
Mas continuou agora, aproximando-se dela, e dizendo que se soubesse que sua saúde era de tal forma, tão fogosa poderia ele mesmo ter-lhe introduzido no ventre uma semente regia, mesmo sendo ela uma cortesã, pois é o que teria se tornado após servir-lhe, jamais teria esposado uma aprendiz de serva e bruxa, Poderia ele reconhecer como filho o de qualquer uma, dado a sua condição de poder.Quanto tempo perdido ,ela andava livremente aos olhos de servos e oficiais com roupas leves ,tudo ele sabia,não cabia a ela discutir a sua utilidade , uma mulher; estava marcada em seu ventre e ,apenas isto importava.Que voltasse à sua casa e de lá não saísse .ate a volta de seu senhor ou esposo caso ela preferisse assim dizer.
Não havia mesmo mais nada há dizer, chorando ela saiu e isto causou ainda maior curiosidade entre aqueles homens que sabiam de suas capacidades físicas, graças às indiscrições dos “seus guardiões”. Naquele momento comentou-se se ela não estivera lá apenas para servir o governante, com préstimos que outras cortesãs se negariam, pois ele era dado aos exageros em seus momentos de prazer,humilhar e fazer com que a pessoa sofresse ,implorando algo,aos seus olhos era para ele melhor que qualquer conluio com uma mulher ,já estes atos ,nem sempre se consumavam.Somente a dor causada pelo seu poder vista de cima o aliviava de suas tristezas e solidão.
Se ele O maior no Puder sofria, seus súditos deveriam também ser envolvidos pelo poder de sua dor...
Ao ficar só novamente; se definiu o futuro de Antonio e Aniella.A criança nasceria mas ambos seriam denunciados pelos servos agora fieis apenas às suas ordens,como pessoas depravadas e hereges.Recolheria a criança aos seus cuidados e eles ,bem eles ,renderiam a ele uma grande fortuna familiar,quando fossem condenados,ou melhor ;seria mais apropriado vê-los “venderem “ seu filho a ele pelo direito de serem livres em qualqwuer lugar no Oriente onde poderiam estar entre os seus pares.
Que maravilha apoderar-se desta criança e ser seu tutor, poderia ensinar-lhe tudo e ainda teria prazeres que não deveria mencionar...
Estava mais uma vez tudo resolvido.
Finalmente poderia vingar-se de ser preterido por Amália,sendo também seu parente e mais nobre na linha de sucessão, era ele o seu obvio marido ,mas a criação degenerada e livre fez com que ele fosse preterido, por esse pobre coitado de Savona.
Agora o bem mais precioso seria seu isto se ainda não aproveitasse para divertir-se com esta tola que se faz uma bruxa poderosa. Ora poder mesmo só aquele que lhe foi confiado, pelo dinheiro e as ordens da igreja, sobre ele ninguém mais.
XIV.Era preciso agir...
Ao retornar ao palácio Ania decidiu-se voltar à casa de seus parentes, sua casa de família e foi recebida com muito carinho, mas todos a partir deste momento sabiam que corriam riscos em seus direitos e liberdades.
Ao sentir que poderia fazer mal aos seus amados parentes resignou-se em voltar ao Palácio de Savona.
Antes, esteve acompanhada de servos fieis aos seus familiares na cabana da floresta, sentiu novamente o peito apertado por muita dor. A casa fora parcialmente destruída, agora, só restara à cozinha a mesa de pedra, baixa os bancos de pedra também e é claro o fogareiro onde podia prender uma vasilha para que obtivesse a fervura das plantas ou o alimento cozido, de forma muito simples, mas eficiente.
Procurou pelo quintal por algumas plantas muito raras e, essencial para o que a partir daquele momento desejara fazer.
As encontrou onde sua avó escondia, por sorte não revolveram as terras, não encontrando o velho esconderijo, melhor assim.
Guardando as mesmas junto a seu corpo rumou para seu palácio de onde aparentemente seguiria as ordens do governante. Mas ninguém poderia impedir que ela cozinhasse as suas próprias refeições. Curiosos que eram eles não deixariam de querer prová-las era com isto que ela contava.
Na volta passando talvez pela ultime vez pelo seu estimado porto, sentiu um desejo de jogar aquilo tudo no mar, parecia ouvir de sua avó que era preciso que fosse mais humilde, para que estivessem protegidos de males muito maiores.
Ah sua avó, ela não diria isto jamais, ela fora livre a vida toda e ensinara a ela como fazer todas as drogas que soubera bem utilizar. Não, ela, com certeza, o faria da mesma forma que agora se dispusera a fazer.
Ordenou aos servos e suas esposas que deste momento em diante usaria em sua alimentação algumas plantas, que tinham por ação favorecer os momentos da maternidade faze-la mais tranqüila, em vista de sua atual condição de cárcere e privado.
E representou nos dias que vieram de forma a convencê-los que aquelas plantas muito perfumadas de fato a estavam acalmando e dando a ela vigor necessário para o parto que em mais ou menos um mês seguiria.
Dentro de si, todos os dias a dor era imensa, dor de não ter ninguém com quem pudesse falar, de estar separada de seu amado esposo e principalmente por ter que levar adiante uma vingança que ela mesma considerava bastante cruel.
Mas se foram cruéis com ela, que tantas vezes cuidou deles e de seus filhos, com atenção, era justo também que ela lhes mostrasse não ser uma tola que facilmente seria levada a algum tribunal.
E finalmente um de seus servos veio pedir para sua esposa os chás perfumados que ela preparava diariamente, eram apenas as plantas de sua avó as melhores, mas que sendo descuidados em seu preparo poderiam causar intenso desconforto em alguém, em estado semelhante ao seu.
Era com isto que ela contava, sabia estar sendo cruel, mas a vingança já estava se realizando.
. Eles foram imensamente cruéis contando das intimidades do casal na casa do Doges, podem ter sido obrigados, mas ganharam liberdades possíveis de observar com isto.
Quando alguns dias depois o empregado veio dizer-lhe que a esposa estava bastante mal, não sentia mais movimentos da criança, ela se apressou em conferir, chegando às acomodações dos empregados pode perceber que a criança já não tinha vida dentro daquela mãe. Foi além da expectativa, a culpa atingiu-lhe de forma extrema, mas estava feito e agora deveria levar adiante a lição.
Fez uso no momento de técnicas medicas e plantas comuns para que a mãe pudesse
livrar-se da situação tão agressiva a sua vida, E depois, quando informou ao servo que agora seriam cúmplices naquilo que os governantes chamavam de bruxaria. Pois o descuido do mesmo com a quantidade de medicamento fizera com que a esposa perdesse o filho deles a agora só as técnicas banidas, aprendidas com a sua avó e Horiab poderiam salvar-lhe a vida.
Pode-se ver que fizera o efeito desejado, pois ajoelhado o servo implorou que nada dissesse aos governantes e que ele de sua parte não irai acusa-la como o combinado com o senhor de Ângelo perante seu esposo quando de sua volta. Marcada e confirmada para uma semana dali.
Meu Deus como eles sabiam e ela não fora informada?
Precisava cuidar de a casa arrumá-la deixa-la alegre para receber o seu amor.
Seria cordata e se prepararia para expor a ele o real acontecido. Sem mentiras ou situações inventadas para que ela fosse desacreditada.
XXV.Um sonho em alto mar...
Há dias ele sabia que estaria em breve novamente na cidade, agora só restavam sete ou dez dias para adentrarem o porto de Genova.
Recolhido à sua cabine nos últimos dias por indisposições que estranhamente o atingiam ele passava seus dias em um transe parecido com sonho, mas não era, por que ao mesmo tempo em que percebia seres alados falando ao seu “coração” podia também ver o decorrer dos dias em seu barco.
Um encontro, destes foi decisivo para sua volta mais urgente. Dona Catharina apareceu-lhe em uma forma brilhante, com vultos alados a envolvendo e dizia que ele, seu neto, agora estaria na prova de humildade e compreensão que faria dele e da vida de Ania uma nova condição de amor e crescimento, seriam pedidos desapego e perdão, mas acima de tudo que se confiasse um ao outro sem dúvidas ou magoas.
Tal encontro fez seu peito doer muito, mas acalmou-se orando.
Nestes tempos no mar conheceu um mestre capelão não era propriamente um padre, mas um frade de uma das novas ordens que estavam sendo criadas nestes últimos tempos, mas esta pregava algo diferente, mais tolerância, respeito, desapego e caridade. Ao conversar com frei Miguel pode pedir que ele ore também por sua Ania, ela sozinha entre estranhos ,poderia algo estar acontecendo que a colocaria em evidencia um tanto desagradável,mas junto com o frade oraram para que todas a tristezas se desfizessem e seu coração se preparasse para o encontro; que seria em breve.
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