XXVI.No Palácio...
As ordens, sempre elas, eram que primeiro se reportasse ao Doge tão logo chegasse ao porto, os servos que vieram encontrá-lo, também o preveniram que na sua ausência a senhora Ania fora proibida de sair de casa, em razão de seu estado, desta maneira não fora ao porto para recebê-lo.
Algo estava estranho, sempre aquela sensação de apreensão em seu peito, mas o que fazer, era obrigatório seguir as regras, e de fato havia muito a reportar.
A viagem fora muito proveitosa, fizera acordos que seriam capazes de fornecer à cidade e a eles muitos lucros, acordos de honra e em ajuda oficial, com armas e homens, em troca de bens comerciais extremamente valiosos.
Que estes animais quisessem se matar agora pouco importava, apenas que no extremo oriente, agora não só os Reinos da Lusitânia teriam portos de comercio, mas eles de Genova também os teriam e isto a inimiga Florença nem sonhou em conquistar.
Com tantas boas noticias a serem reportadas não saberia dizer, porque ao adentrar no salão do palácio, tremeu e ao mesmo tempo temeu por sua sorte.
Logo saberia...
Estava esperando sua volta, meu parente, feliz pelas noticias que os antecederam, mas apreensivo por aquilo que preciso,embora não o deseje, informa-lo.
Dito isto de forma tão suave, diferente das ordens costumeiras pareceu a Antonio que existia uma parcela de ironia e sadismo nas palavras.
Ele bem conhecia o Senhor de Ângelo há muito tempo sabia de suas atitudes bastante humilhantes para com seus subordinados, neste momento a forma com que lhe falara deixava entrever que algo muito grave seguiria a partir daí.
Alegramo-mos que tenha vindo antes aqui, para informá-lo sobre algo que deva ter bastante cuidado ao se encontrar com sua esposa, estamos observando suas atividades nos últimos tempos e acreditamos que ela tem novamente exercido seus atributos em bruxarias.
Excedeu-se por demais vindo nos afrontar quando desfizemos aquele lugar desprezível, onde guardava seus venenos e fazia suas poções.
Alem de que, estava proibida por ti de ir a tal lugar, ao que não obedeceu a suas ordens.
Os olhos dele brilharam ao dizer: Meu amigo, eu temo por sua vida estando junto de uma pessoa tão desequilibrada ao ponto de vir implorar-me o direito de fazer tais mágicas e é claro sem medir esforços para me convencer.
Suas atitudes foram as de uma cortesã, alias temo que ela seja mesmo como uma delas, pois dançar e pintar-se para seduzir, só podem ser atitudes de uma herege.
Seus servos nos reportaram de tudo em sua ausência e agora nós fazemos a nossa obrigação familiar em informar-lhe antes que ela venha enganá-lo com mentiras deslavadas.
Os nossos pares estiveram aqui no dia em que ela esteve e a viram invadir meu escritório, sem nenhum acompanhante e ficar cerca de algumas horas comigo, meu amigo, certamente sabes que nenhuma mulher de respeito faria tal coisa.
Eu tive por ti o maior apreço, mas é difícil deixar de dar atenção aos atributos de uma mulher tão liberada, afinal estávamos desejosos em ver a ela nos seduzindo.
Ao dizer isto seu olhos brilhavam e sua fala ia se tornando maldosamente sedutora, de Ângelo fora um excelente orador em toda sua vida e convencer um homem simples, mas extremamente rígido moralmente como Antonio era na verdade só mais um brinquedo muito divertido uma vingança saboreada com imenso prazer. Estava certo em seu plano, logo daria o golpe final.
Neste momento os amigos bondosos, tentavam a toda maneira desviar a a tensão de Antonio de seus princípios rígidos, aqueles que o fizeram na noite de núpcias ser tão agressivo com Ania. As vibrações negativas de Ângelo envolviam a Antonio exatamente como o planejado,ele não podia deixar que uma mulher o desonrasse,por honra perdera seu filho, por honra aceitara estar unido a uma pessoa agora para ele desconhecida pela honra faria o que fosse melhor pelo bem de sua família se ela deveria se julgada que o fosse. Apenas esperaria a criança nascer , seu pátrio poder garantiria que ele a retirasse dos braços da mãe e, depois existiam cortesãs mais castas que esta estranha bruxa que o enganara ,elas o amamentariam se fosse necessário. Eles estavam em grupo no ambiente daquela sala,mas percebendo que ainda haveria maior dor naquele dia para o estimado casal, buscaram envolver Ania que ansiosa desejava ver seu amado e contar-lhe toda a sua desventura.
Ao se aproximarem da jovem, que por desacertos em seu equilíbrio pouco ou nada mais os percebia, eles se mantiveram em orações de calma impregnando a orgulhosa moça com candura e humildade, era necessário que ela aceitasse o destino fosse ele qual fosse, para que ao menos, parte de seus compromissos fossem exercidos.
Aquele ser em seu ventre, um deles, agora estava afastado de pensamentos e dores de seus pais, e mais ainda estavam eles velando para que acontecesse o que fosse este não se sentisse rejeitado ou traído por estas pessoas suas muito amadas companheiras de vida.
Enfim pediram aos seus superiores que pudessem envolvê-los em equilíbrio para que vencessem a dor que poderia machuca-los e assim pudessem auxiliar seus amados neste difícil momento.
XXVII.O difícil caminho para casa...
Meu Deus pensou foram tantos os dias no mar tanta dor saudade e desejo e porque será que Ania sequer respeitou suas recomendações, em seus últimos momento ela pareceu ser uma pessoa sensata, capaz de entender o risco que correria caso criasse algum desconforto social. Por que agora ele deveria dizer a ela o veredicto desta situação, ele não era um juiz, quando muito e isto o que mais lhe doía; um marido traído apenas para que sua esposa pudesse fazer as artes que estavam proibidas.
Teria ela envenenado seu próprio filho ainda no ventre com idéias perigosas e hábitos desprezíveis, era urgente retira-lo de seus braços tão logo nascesse. Assim ele se encaminhava ao seu palácio quando foi abordado por Patrício, o servo que fora “ajudado” por Ania.Patrício não sabia mas sua estória também fora relatada a Antonio.Na forma utilizada por de Ângelo, torta e com detalhes sórdidos.
Meu senhor deve ter atenção com sua senhora, nem tudo que dizem parece ser verdadeiro, antes que partisse já estávamos observando a vós, mesmo em seu leito para informarmos ao nosso doge.
Senhor ,eu lhe peço que entenda, que ao saber disso a nossa senhora sentiu-se traída e exposta em suas vergonha e o que fez foi exagerado ,mas um homem teria por moral ,até o direito de convocar o nosso Lorde maior para um duelo em um caso destes.
Meu servo querido não sabe o quanto ela o fez sofrer para que a defendesse desta maneira, mas acredite o perdôo, por qualquer deslize, as artimanhas de uma bruxa se conhece pela sua maldade e engana-lo no medicamento de sua esposa por si só já é uma prova irrefutável de suas heresias. Não houve bondade apenas a defesa de uma geração de mulheres despudoradas e incapazes de obedecerem aos seus senhores e esta que irá ser julgada em breve será um exemplo para as próximas isto é se estas se atreverem a nos contestar alguma ordem.
Siga em paz meu servo vá orar pelos seus pecados, eu de minha parte já o perdoei as indiscrições.
XXVIII.No palácio
Ania orava para se acalmar, pedia incessantemente a presença de seus amigos, mas eles a deixaram desde que fizera aquilo do qual já se arrependera, como foi que ela, que sempre defendeu os mais frágeis na coluna social teve coragem de tratar uma mãe com tanto desprezo, pior ela mesmo estando grávida.
Certamente merecia algum castigo de seus amigos e acreditava que a falta de senti-los era a sua punição.
Mas eles estavam ao seu lado, orando com ela envolvendo seu corpo em sentimentos de desapego aos seus bens e principalmente à sua vida. Era difícil, pois ela muito voluntariosa tinha em si o germe de um fim trágico e poderia em seu livre arbítrio escolher algo extremo para se livrar de um castigo que ela considerasse injusto.
Bem estas idéias vinham e voltavam na sua cabeça, mas os amigos pacificadores oravam incessante par que sentisse paz e se envolvesse de amor para vencer as maldades de aquele ser que outrora desejou um bem precioso de Antonio, como se a vida de sua Amália fosse um bem de Antonio. E agora entre desencantos e maldades estava tomando para si futuras culpas por não respeitar o direito a vida de todo ser sobre a Terra. Com era triste ver tantas atitudes maléficas esconder-se sobre as vestes dos que foram confiados como governantes e superiores religiosos. Orar era o que poderiam fazer e agora que sentiam a presença de Antonio ,muito mais cuidadosos foram ao envolverem ambos em véus de respeito, desapego e perdão.
Que eles pudessem captar tais vibrações já que a eles, os amigos, nada mais poderiam fazer mesmo agora ficar naquele ambiente já lhes era impossível.
XXIX.Triste encontro...
Ao adentrar o quarto encontrando Ania ajoelhada perante o oratório ele não se conteve, seguiu até ela e arrastou com violência, esquecido mesmo de sua condição, pois em breve daria a luz e certamente este filho era muito importante, em seguida arrependeu-se e se calou.
Por um segundo passou em seus pensamentos a lembrança de seis meses atrás ao se despedirem o envolvimento o carinho as promessas e os planos futuros. Mas esta mulher, era isto que era uma mulher qualquer não mais a que se apaixonara, esta talvez nunca tivesse existido fora apenas uma circunstancia e muita necessidade física sua em levar uma vida cristã sabia que mentia a si mesmo, mas não podia fraquejar.
Mas suas obrigações com esta criatura foram findadas por ela mesma.
Ao sentir-se arrancada de suas preces o pior passou por sua cabeça, sabia já a esta altura que Antonio havia estado primeiro no palácio do Doge e ainda Patrício a informara sobre tudo que ele soubera ter sido dito ao senhor de Savona naquele lugar.
Não esperava atos apaixonados mais, mas dignidade e cuidados no trato com ela eram o mínimo que poderia esperar deste homem, a quem amava e amaria até seu ultimo dia nesta vida, mesmo que este dia fosse hoje.
Ela também tomara decisões enquanto soubera de todas as acusações que lhe foram feitas e de como Antonio reagira a elas.
Um homem simples nas coisas de sentimentos e muito rígido em sua moral e regras sociais, é claro que nunca duvidaria de um parente seu superior, um homem, nem sequer defenderia uma mulher que aos seus olhos estaria ultrajando a honra de sua família. Uma mulher que fora imposta por esposa, que conquistara sua confiança demonstrando e ensinando artes consideradas ofensivas à moral, e mais ainda que fora acusada de entregar-se ou o que fosse ao seu Doge apenas para conseguir se arbitrar-se em fazer as tais “devassas artes e similares”.
Ela já sabia que não teria perdão, mas já o perdoara, apenas não viveria mais um dia de sua vida sem o amor deste homem, o amor que ela sonhou por toda sua vida, o que fizera em seu corpo um ser prestes a nascer. Sim ele nasceria ela aprendera como se portar; apenas precisava de um lugar sossegado e tudo seria feito de forma a manter esta vida, a vida que continuaria sem ela, mas que seria a continuação dos sentimentos que um dia os unira.
Nada falou,ouviu as acusações em profundo silencio,pedia a Deus e aos amigos que não a deixassem fraquejar em seu intento, pois ver Antonio tão próximo acentuou-lhe o desejo de abraçá-lo, envolve-lo em carinhos, caricias tentar provar-lhe o quanto estava enganado, mas sabia ser tudo inútil e mesmo sabendo que isto pareceria algum artifício aos olhos de seu amado ,baixou seus olhos e chorou,lagrimas como o mar que tanto amara e que já não via há muito tempo.
Logo estaria livre e, se o fosse permitido seu espírito liberto de tantas angustia e maldade poderia pairar sobre o mar em relativa paz.
Ela sabia que suicidas nem sempre alcançam um plano feliz após a morte, mas se ficasse apenas pairando sobre o mar já seria para ela um perdão de tudo que fizera.
As decisões foram tomadas e apenas caberia a ela acata-las, seu marido era o responsável pelo veredicto que ouvia e as suas decisões também estavam tomadas.
Sem saber Antonio colaborou com o desfecho desta historia.
Ao estar enojado de Ania humilhando a jovem com palavras duras e desabonadoras ele ficou exausto em seu espírito. Não sabia fazer isto, mas fazia parte da punição recebida por todas estas mulheres, serem humilhada por seus queridos e afastadas deles, como seres pestilento que eram à moral e a boa ordem social, e seguindo as ordens, assim foi feito.
Terminado o tempo da humilhação ele esteve exausto, mas não descansaria, primeiramente, mais por pena que por obrigação; deixaria a ela um tempo para que se despedisse dos seus familiares, aqueles que também não a abandonaram, enquanto isto iria ao porto e terminaria de trazer seus barcos para a cidade.
Como ele fora determinado como seu algoz por algum tempo, ele poderia e o fez ,determinou que no próximo dia ela estivesse livre, para se despedir da cidade e de tudo que amava, depois disso viria a humilhação publica, e não seria torturada fisicamente até que a criança nascesse,mas depois ela estaria nas mãos dos espanhóis.Assim ele rumou para o porto sem saber que dera a Aniella de Antonietto a liberdade necessária para levar seu triste plano adiante.
XXX.Pedido há fazer...
A senhora Ania solicitou a presença de Patricio e da esposa, neste momento difícil, era com eles que ela pretendia contar para levar seu plano adiante.
Meus amigos, eu sei que fui injusta convosco,peço desde este momento que me perdoem,estava tão desesperada nos tempos que se passou que acabei atingindo vossa família, mas a vossa compreensão e o vosso auxilio, apesar da tão grande dor por que passaram fizeram de mim muito grata e, de alguma maneira devo recompensá-los.
Amanha estarei de partida, não informarei para onde, porque poderia interferir em vossa segurança, já sois tão espoliados de vossas vidas que prefiro deixa-los em paz. O segredo de para onde vou não será uma culpa em suas vidas.
Porem posso apenas contar com a vossa discrição e, se forem cuidadosos deixo-vos o mais caro de meus bens, não deveria assim dizer pois,não somos donos de vidas ,mas neste caso creio ser o modo mais correto de informar-lhes o que pretendo realizar.
Como bem o sabem, conheço de plantas e deste conhecimento veio toda a minha desgraça,porem não acredito que algo feito pelo Pai para nos alimentar e curar, possa ser realmente algum mal.Acredito sim que a forma que empregamos determinadas substancia e a intenção de usa-las que causam transtornos,sim pude ver como os causei,mas agora não há mais tempo para explicações.
Tenho apenas um dia e assim será ao invés de despedir-me de meus familiares conto com vocês para que entreguem apenas esta carta aos que ainda me são leais. Se não sentirem-se seguros para fazê-lo não o façam, pois vocês que andam pela cidade e conversam com os criados sabem bem em quem podem realmente confiar.
Em seguida tenho alguns cuidados há tomar e confio em sua esposa para me auxiliar nestes momentos.
Já preparei há algum tempo um chá que pode apressar o nascimento desta criança,não temam por sua vida ,pois este deve vir ao mundo no maximo em dois dias,e nada de mal acontecera a ele se nascer um dia antes.
Devo dizer que muitos animais no campo, comem de algumas ervas e tem suas crias, adiantado, mas nem por isso eles às tem sem vida, sendo saudáveis, em geral, elas sobrevivem e assim será com este ser que tenho em meu ventre.
Porem o seu futuro dependerá de vocês. Sei que há alguns dias estiveram no campo para auxiliar o nascimento de seu sobrinho, e sei também que infelizmente ele e a mãe vieram a falecer, creio que isto ocorreu há cinco dias. Se estiver certo então meu plano será executado em segurança.
Ao receber a afirmativa sobre o tempo, vinda de Patrício e da esposa, Ania agradeceu aos Céus, pois poderia mesmo distante proteger o filho de seu amor por Antonio, um inocente, das maldades imaginadas pelo senhor de Genova, o duque de Ângelo.
Assim mesmo de forma humilde, ele cresceria entre pessoas amorosas e capazes de ensinar-lhe sobre amor,humildade e respeito entre as pessoas e não se tornaria, nas mãos de tão horrível homem, um inimigo de seu próprio pai.
Meus amigos, únicos nesta hora de dor, sei que a casa esta toda sendo preparada para o festejo da volta do vosso Senhor ,assim todos os outros criados encontram-se ocupados demais para observarem as nossas ações a partir de agora.
Preciso antes informar que se formos pegos durante tais manobras vocês também serão tomados por hereges e junto comigo estarão em um tribunal de farsa e maldades.
Patrício muito emocionado respondeu que se não fosse a cobiça ter afetado os seus princípios nunca teria contado segredos àqueles homens sádicos, agora precisava penitenciar-se por ter sido cúmplice nas mentiras que a levariam às torturas já conhecida e ao fim em porões ditos tribunais religiosos. Estariam com ela e se fossem descobertos eles sabiam também que puderam viver os últimos meses com direitos que nunca tiveram, graças a atenção e cuidados oferecidos sem qualquer cobrança pela senhora.
Eles a ajudariam sem perguntar nada em tudo que fosse preciso, mas ainda não haviam entendido o que de fato aconteceria.
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