domingo, 18 de dezembro de 2011

Vidas XXXI, XXXII, XXXIII, XXXIV, XXXV

XXXI.Um nascimento, a dor de um adeus...

Junto da esposa de Patrício ela ficou no seu quarto e pediu que esta aprontasse o necessário para que se fizesse um parto,tendo tudo sido preparado pediu que a levassem até a sua casa, nas cercanias do próprio palácio mas onde ninguém se preocuparia em estar.Todos estavam muito felizes e ocupados com os preparativos ,para sequer abandonarem seus postos de serviço sem os haver terminado.

As dores eram terríveis e já começava os trabalhos de seu corpo para o nascimento da criança,ao seu pedido nda foi pronunciado entre ela e amulher apenas oravam e pediam que a criança fosse saudável,isto seria garantia de sua vida.

E pedindo auxilio aos céus não pode sequer girtar as dores que sufocavam seu corpo todo, eram como se aquele cavalo novamente pisoteasse todo seu corpo, mas finalmente ouviu o choro de sua criança, um filho, forte e saudável. Agradeceu junto daquela mulher e pediu que pudesse ter uns minutos apenas com o seu filho, mas que deste momento em diante o que nasceu naquela casa seria para o casal o filho de sua parenta, ela era uma jovem que fora violentada por algum animal da guarda do palácio e nunca mais teve qualquer contato com o malfeitor.

Então por piedade eles aceitaram manter a criança com eles, pois sempre se necessita de uma mão nas lides quando se é um servo. Sem filhos eles poderiam criar este com certo conforto e teriam em sua velhice o apóio de uma família. A infeliz morrera e este era seu desejo, que eles criassem a criança como filho. Não se recusa um pedido assim no leito de morte e por este motivo, os cuidados da criança não puderam participar efetivamente dos serviços do palácio naquele dia.

Dito isto, ela pediu que a mulher saísse, e chorou, muito como nunca, era um fruto de um amor conquistado pelo respeito e companheirismo que estava agora sendo abandonado por ela, para que pudesse ter ao menos oportunidade de aprender o que isto significava. Estas pessoas o amariam e o tornaria o homem em moral um dia sonhado por seu pai e em caridade esperado por ela.

Adeus meu querido filho, tenho mais alguns minutos, pois disse à sua nova mãe que eu partiria tão logo pudesse por me em pe e agora já sinto retornar a força as minhas pernas. Fica com as benções minha com sua nova família e se puder, um dia ore por esta mulher que muito amou a você e seu pai.






XXXII.Na cabana da floresta...

Escolhendo entre as roupas de sua criada as mais simples, para que se passasse por uma serva a caminho dos arredores da cidade, ela partiu deixando para trás seus sonhos,sua vida,mas sentiu-se acompanhada por aqueles que tanto amara na vida,nas borboletas encontradas aos pares pelo caminho,ela foi encontrando uma certa calma de espírito para o que teria que fazer; a partir deste momento ,não haveria volta assim como bem sabia ,também não haveria perdão.Morreria como uma herege,mas teria ao menos o direito de escolher de que forma iria ser.

Novamente naquele tão amado lugar, repleto de lembranças felizes da presença de pessoas tão amadas.

As flores rasteiras tomavam agora conta do local mas não poderia ficar mais tempo fora correndo o risco de ser vista.Ao entrar algo pesou sobre seu espírito,talvez o medo do momento derradeiro,ou a culpa de não conseguir ser forte o suficiente para fazer a sua defesa ,para defender o seu amor e sua família,dúvidas que teria mas não por tanto tempo assim ela pensou.

As ervas já estavam separadas, seriam as mesmas que usara de forma tão irresponsável meses atrás. Agora sua morte repararia também este erro. Estava sofrendo em vista de coisas que não pode suportar, mas logo seu esposo não teria mais de quem se envergonhar e toda desonra cairia sobre uma jovem tola que se deixou levar por bruxarias e encantamentos. Ele teria o apoio de seus pares para consolá-lo e muitas jovens para novamente darem filhos a ele e continuarem a linhagem dos governantes daquela cidade.

Olhou ao redor o fogo precisava ser feito, a noite estava chegando e não mais esconderia as chamas e a fumaça naquele lugar, era preciso se apressar. Ela fez as orações pedindo perdão aos amados amigos, à sua avó enfim à todos que a amaram e protegeram e que certamente sofreriam com sua fraqueza caso estivessem ali.Oravam e nada mais podiam fazer...
A bebida ficou pronta ,sabia o que sentiria,seria uma tontura e logo estaria dormindo, alguma dor viria a seguir,um ligeiro tremor mas neste momento já nada mais poderia ser feito o veneno faria efeito irreversível e ela como tantos outros que deram cabo de sua vida desta maneira, estaria a mercê de suas próprias misérias,as quais a condenariam o absolveriam se houvesse um juízo em outra vida.Mas já não consegui mais manter-se em pé,uma dor incrível tomou seu corpo ,não pode respirar e finalmente desmaiou.
Antonio, adentrou àquela cabana, acompanhado dos guardas, que de longe observaram uma mulher encaminhar-se para o casebre, foram avisá-lo, pois suspeitaram de algo,mas ele não queria acreditar que ela fora tão louca,tão má,pondo fim a sua vida e também a de seu filho.

A forma como morrera não permitiu que se fizesse qualquer preparação do corpo e para evitar novos usos para tão desprezível lugar ele ordenou que tudo se consumisse em chamas.
As chamas tomaram o lugar, ele sozinho vendo tudo que amara sendo destruído novamente, quase enlouqueceu,por sorte era observado de perto por alguns servos,assim quando tentou ele próprio se atirar no fogo foi resgatado pelos criados antes de se ferir de forma irreversível.Mas o seu coração viva uma dor que jamais cicatrizaria.

Ao ser informado do acontecido Ângelo teve que disfarçar a sua prorpia felicidade ,nem seus sonho puderam criar um final tão apoteoticoa a esta obra .Estaria definitivamente vingado, aquele que se usurpou de sua prometida fora destruido em todos os seus sonhos de amor.
Agora faltava o golpe final






XXXIII.Seguiu-se a comemoração...

Agora no palácio do Doge onde fora convocada sua presença Antonio era dor e desolação, mas estava pronto a ouvir palavras de amizade por parte do Seu governante.

Não foi assim.

Antonio, meu caro, alegro-me que o salvaram a tempo para que eu possa afinal proferir minha sentença a você, estamos acusando o senhor de bruxaria, de fazer atos indecentes, com uma pessoa considerada paria em nossa sociedade e, ainda por não cuidares dela e deixa-la livre longe de seus olhos, pois fora o senhor designado nosso representante junto à ré.

Por tamanha desatenção aos nossos interesses o futuro governante fruto de nossos esforços pereceu ainda no ventre desta desprezível mãe, foram vocês considerados cada um a sua maneira culpados, para nos não importa mais os seus serviços e só não o condenamos aos tribunais da Inquisição por que pareceria cruel, com um nosso aparentado.

Portanto sua nova sentença será permanecer em seu palácio até o final de seus dias acompanhado das cortesãs que eu enviarei diariamente até que novamente faça um novo herdeiro para nós. Qualquer desobediência será tomada por ato de traição e devera ser chicoteado em praça publica assim com qualquer um de nossos servos alias é isto que es a partir de agora todas as suas posses serão entregues a minha guarda para que não a dilapides e possa ser a herança de nosso futuro governante.Nada deves dizer apenas vá.

Mas para sua consciência ser ao menos poupada de fantasmas informo a você que as coisas aconteceram exatamente como sua esposa deve ter contado, se é que a ouviu, em sua orgulhosa arrogância moral, não toquei em nenhum fio de seu cabelo, tentei é claro pois sou homem e tenho desejos considerados vis para a maioria de vocês e os satisfaço quando e com quem quero,mas com ela, jamais o faria,meu plano era maior e a desconfiança sua a respeito de seu amor por ti apenas fez minha vingança se fazer mais e mais saborosa,agora eu não tenho mais Amália e você não terá mais nada de seu enquanto viver,estamos acertados.

Antonio desmaiou e foi ordenado que o levassem para o palácio e que lá o mantivessem sob forte guarda.







XXXIV.No quarto...

Por dias esteve entre a vida e a morte, enquanto estivera febril assistira cenas estranhas,vira um encontro de dona Catharina com a neta.

Ambas pareceram a ele muito diáfanas, mas dona Catharina agora tinha a mesma luminosidade daqueles que as vezes apareciam em seus sonhos,aclamando de seus pesadelos,Ania estava cansada não falava e tinha sinais claros de que estava muito doente.

Ouviu parte da conversa onde a avó explicara a neta que não poderiam estar juntas no momento, mas ela seria cuidada por amorosos médicos, diferentes dos que conhecera e certamente, em breve, caso tivesse coragem de enfrentar seus erros a ela seria permitido partilhar da casa de sua família.Isto se dava pelas orações que foram feitas a seu favor pelos servos de seu marido e sua esposa em agradecimento por have-los permitido criarem um filho,que chegou a suas mãos em segredo mas só faria se suas vidas uma bênção de família.

Oh meu Deus pensou, seria um sonho assim tão real,e se fosse,poderia Ania ter entregue seu filhos para os servos cuidarem,talvez ela não estivesse louca e antevisse o que seria feito de seu filho caso fosse criado pelo senhor de Angelo.

Ajoelhado em seu oratório apenas agradeceu o sonho abençoado, e pode perceber então uma carta sob o seu genuflexório, com o coração aos saltou abriu e pode ver que o sonho fora muito mais e que finalmente o libertara de toda a dor.

Nesta carta Ania lhe falava sobre o medo que tinha de seu filho crescer junto de alguém tão sádico e vingativo como o governante da cidade e de tudo que a levou às medidas tão extremadas que veio a tomar.

Ela o perdoara de todo o coração e jurar-lhe amor eterno caso isto realmente fosse possível, viverem eternamente.

E seu ultimo pedido fora bastante forte.
Que ele fosse embora daquela cidade, que deixasse tudo dinheiro, direitos, enfim aquilo que o fizera tão apegado às regras sociais e recomeçasse, até como servo, que fosse a algum reino longe dali.

Ele então se decidiu...

Caminhou feito louco e gritando deixou-se cair no mar antes dissera aos guardas que tomara o mesmo veneno que a esposa e que jamais suportaria viver se não fosse com ela.

 


XXXV.Dentro do navio...

Nadara como louco para alcançar um dos barcos que sabia deixara o porto há algum tempo, sem ventos, de fato a embarcação não estava longe, neste tempo soube o que faria ao ser reconhecido.

Ao ser resgatado agiu como um débil, um tolo ajoelhou-se diante de um de seus antigos empregados agora, do doge e, beijando os seus pés gritou, nada tenho, mas amo o mar e morrer nele é o que desejo,Seja o senhor generoso comigo e cuidarei de suas investidas em cada porto em que estiveres.

Estava certo, desta maneira convenceu seu antigo empregado, companheiro de muitas batalhas a dar-lhe o abrigo e muito em breve ele próprio desembarcava em um lugar longínquo no oriente.

Seria então como Ania pedira; a sua nova vida...






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